Em dia mundial, ONU celebra projetos brasileiros para prevenir violência por meio do esporte

Para celebrar o Dia Internacional do Esporte para o Desenvolvimento e pela Paz, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC) lembra projetos de ONGs brasileiras que foram apoiados pela agência para usar as atividades esportivas como ferramente de prevenção da criminalidade e da violência.

Iniciativa do Instituto Companheiros das Américas recebeu apoio do UNODC. Foto: ICA

Iniciativa do Instituto Companheiros das Américas recebeu apoio do UNODC. Foto: ICA

No Brasil, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC) financiou, em 2018, diferentes iniciativas de ONGs que articulam o ensino de esportes com a prevenção da criminalidade entre os jovens. O auxílio da agência da ONU no nível local faz parte dos seus esforços mais amplos para promover as atividades esportivas como um meio de combater a violência.

Um dos projetos apoiados pelo UNODC foi implementado na zona oeste do Rio de Janeiro, no bairro Cidade de Deus, onde a violência de gangues tem sido um problema grave, levando jovens para a violência e para o uso de drogas.

Para reverter esse cenário, o Instituto Companheiros das Américas (ICA) decidiu criar na região um programa que conecta o esporte à empregabilidade e ao empreendedorismo. Voltado para jovens em situação de vulnerabilidade, a iniciativa do ICA buscava capacitar a juventude com as habilidades necessárias para o ingresso no mercado de trabalho. A organização também queria promover o reingresso no sistema formal de educação.

A proposta despertou o interesse dos moradores — mais de 300 jovens se inscreveram no processo seletivo do projeto, que tinha somente 50 vagas. Com o início das atividades, a estratégia de usar o esporte para estimular a procura por emprego e por qualificação mostrou-se bem-sucedida.

O UNODC lembra, porém, que o contexto de violência na cidade de Deus, com constantes tiroteios e confrontos com a polícia, foi um dos obstáculos à implementação do projeto. Episódios de violência levaram a diversas interrupções da rotina planejada, com o cancelamento de aulas e o não comparecimento dos alunos.

Apesar do cenário de recessão econômica no estado do Rio de Janeiro e no Brasil, as metas de “engajamento positivo” com o mercado de trabalho foram atingidas para 27 participantes do programa, que concluíram um treinamento específico sobre empregabilidade.

O ICA também utilizou a metodologia de formação em habilidades para a vida do UNODC, o Vamos Nessa, que aborda fatores de risco para o crime e uso de drogas. Cinquenta jovens se inscreveram na capacitação.

Do outro lado da Baía de Guanabara

Em Niterói, a 38 quilômetros da Cidade de Deus, a ONG Instituto Rumo Náutico realizou o seminário “Barcos como Instrumentos de Educação”, uma iniciativa também voltada para a juventude em contextos de vulnerabilidade. O objetivo era promover o esporte educacional, em particular a vela, como uma ferramenta pedagógica para fortalecer a resiliência de jovens marginalizados.

Promovido em julho do ano passado, o seminário marcou o 20º aniversário do Projeto Grael e foi realizado na sede da instituição, com treinamentos, palestras, workshops, aulas teóricas e práticas de vela, canoagem e remada. O foco do evento era promover o esporte como elemento central do desenvolvimento humano integral.

Foram 80 horas de atividades para um público de mais de 200 alunos e professores de educação física, docentes de modalidades náuticas, lideranças comunitárias que desenvolvem projetos na área, além de outras pessoas interessadas no universo esportivo.

No Planalto Central

Também com apoio do UNODC, a Fundação Assis Chateaubriand ofereceu aconselhamento psicológico para jovens em situação de marginalização em centros esportivos de Brasília, Ceilândia, Estrutural e São Sebastião. A assistência vinha acompanhada de um treinamento dos participantes do programa, que puderam aprender o ofício dos árbitros de futebol.

Trinta e sete crianças e jovens em contexto de vulnerabilidade social foram certificados ao concluírem o curso de Jovem Árbitro – Futebol 7. A formação foi realizada entre 16 de julho e 13 de agosto. As aulas foram ministradas por instrutores socialmente reconhecidos nos municípios onde o projeto foi executado.

Além de dar apoio psicossocial e capacitação, a iniciativa permitiu aos alunos ver o outro lado do esporte, humanizando o papel dos juízes de futebol. Em dezembro de 2018, três jovens que participaram do curso atuaram como árbitros no Festival Esportivo Vamos Nessa, promovido pelo UNODC em Brasília.


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