Em dia mundial, ONU Brasil homenageia ativistas e artistas negras

Em uma roda de conversa para celebrar o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho, o coordenador-residente da ONU Brasil, Niky Fabiancic, homenageou na terça-feira (24), em Brasília (DF), ativistas e artistas negras, como Sueli Carneiro, Carolina Maria de Jesus, Marielle Franco e Angela Davis. Para o dirigente, os esforços dessas mulheres permitiram enxergar o sexismo e o racismo como elementos estruturantes da sociedade.

Roda de conversa promovida pela ONU em Brasília celebrou o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha. Foto: ONU

Roda de conversa promovida pela ONU em Brasília celebrou o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha. Foto: ONU

Em uma roda de conversa para celebrar o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho, o coordenador-residente da ONU Brasil, Niky Fabiancic, homenageou na terça-feira (24), em Brasília (DF), ativistas e artistas negras, como Sueli Carneiro, Carolina Maria de Jesus, Marielle Franco e Angela Davis. Para o dirigente, os esforços dessas mulheres permitiram enxergar o sexismo e o racismo como elementos estruturantes da sociedade.

“Hoje, graças à luta incansável de Sueli, Maria Carolina e muitas outras mulheres, conhecidas e anônimas, sabemos um pouco mais sobre quão difundidos são os seus efeitos (do racismo e machismo). Sabemos, por exemplo, por dados do IPEA (o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que no Brasil as mulheres negras ainda não alcançaram 40% da renda dos homens brancos e ganham cerca de 60% em relação a mulheres brancas”, afirmou Fabiancic.

Também segundo o IPEA, 39,1% das mulheres negras empregadas estão inseridas em relações precárias de trabalho.

“Sabemos também, de acordo com o Mapa da Violência, que, enquanto os assassinatos de mulheres brancas reduziram 10% entre 2003 e 2013, os de mulheres negras aumentaram 54%. No Brasil, a cada três mulheres em privação de liberdade, duas são negras”, acrescentou o chefe das Nações Unidas no Brasil.

Fabiancic ressaltou ainda que “mulheres negras são sub-representadas na política, nos cargos de chefia, no governo, nos meios de comunicação” e também na própria ONU. O dirigente explicou que a Organização tem adotado medidas para reverter essa disparidade em seus quadros funcionais.

Atualmente, a ONU Brasil conta com o Grupo Temático de Gênero, Raça e Etnia da América Latina. A instituição também tem o apoio do comitê “Mulheres Negras rumo a um Planeta 50-50”, além de parcerias com os movimentos de mulheres negras do país e da região.

Mulheres negras pelos direitos humanos

Fabiancic enfatizou que “as mulheres negras têm estado, desde sempre, na linha de frente pela defesa dos direitos humanos”. “Destaco neste sentido o trabalho exemplar da Marielle Franco”, afirmou o dirigente, lembrando a trajetória da vereadora do Rio de Janeiro, assassinada em março último.

“Quando as mulheres negras avançam, toda a sociedade avança. Ou ainda, como disse Angela Davis, ‘quando as mulheres negras se movimentam, toda a estrutura da sociedade se movimenta com elas'”, defendeu o coordenador-residente.

Na avaliação do dirigente, as mulheres afrodescendentes são uma população central para que o Brasil, a América Latina e o Caribe alcancem os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU e as 169 metas da Agenda 2030. Segundo Fabiancic, o conceito da filosofia ubuntu — ‘Eu sou, porque nós somos’ —, lema de Marielle, resume o espírito dessa agenda global.

“Para muito além dos dados, as mulheres afrolatinoamericanas, caribenhas e da diáspora são a chave para pensarmos novos sentidos para democracia, igualdade e justiça social. Levar a sério as dinâmicas em torno de gênero e raça na região é o mesmo que estender a toda a sociedade um convite para pensarmos um mundo novo”, completou.


Comente

comentários