Em dia mundial dos solos, FAO lembra importância de modelos sustentáveis na produção de algodão

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Neste 5 de dezembro, Dia Mundial do Solo, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lembra que uma terra de qualidade é vital para garantir as condições produtivas adequadas de diferentes sistemas agrícolas e florestais. Na América Latina e no Caribe, a agência da ONU promove a conservação e uso sustentável dos solos utilizados nas culturas de algodão.

Plantação de algodão em Catuti (MG). Foto: OIT

Plantação de algodão em Catuti, Minas Gerais. Foto: OIT

Neste 5 de dezembro, Dia Mundial do Solo, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lembra que uma terra de qualidade é vital para garantir as condições produtivas adequadas de diferentes sistemas agrícolas e florestais. Na América Latina e no Caribe, a agência da ONU promove a conservação dos solos utilizados nas culturas de algodão.

O Projeto Regional +Algodão — executado pelo organismo e pelo governo brasileiro — mobiliza outros seis países além do Brasil — Argentina, Colômbia, Equador, Haiti, Paraguai e Peru. Uma das frentes de atuação do projeto é a preservação e uso sustentável dos solos.

A coordenadora da iniciativa, Adriana Gregolin, explica que o algodão costuma necessitar de terras de média a alta fertilidade. O vegetal é também um dos cultivos agrícolas com alta demanda de insumos químicos, concentrando quase 25% do mercado mundial de pesticidas.

“Por essa razão, é crucial a adoção de práticas para a mitigação dos danos e a recuperação da capacidade efetiva dos solos para reverter a degradação atual e, dessa maneira, contribuir para o desenvolvimento de uma agricultura de baixo impacto ambiental, social e econômico”, afirmou a especialista.

Um dos componentes do projeto é a capacitação de agricultores familiares, com cursos e formações. O objetivo é melhorar a utilização dos solos, especialmente no cultivo de algodão, mas também em culturas associadas e de rotação. Encontros divulgam boas práticas e põem em contato os pequenos produtores e os técnicos de instituições nacionais.

As atividades em campo contam com o apoio das instituições brasileiras que participam da iniciativa — a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e a Empresa Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (EMATER-PB). O programa da FAO também promove atividades para pesquisadores, técnicos extensionistas, estudantes de nível técnico e de escolas agrícolas.

“Um bom manejo dos solos gera um impacto positivo na renda de pequenos, médios e grandes produtores, associado à diminuição de custos e ao aumento da produtividade das culturas”, explica Adriana.

De acordo com a gestora, o modelo vigente de agricultura intensiva tem impacto direto nas propriedades físicas, químicas e biológicas da terra, o que demanda uma gestão adequada do solo e das fazendas.

Práticas como o uso excessivo de agroquímicos ou uma lavoura intensiva podem afetar as características do solo. Entre as consequências, estão o agravamento da compactação e da erosão; a perda do solo e de microrganismos benéficos, de matéria orgânica e da capacidade de retenção de água; e alterações nos níveis naturais de fertilidade e pH.

Essas e outras perturbações geram condições desfavoráveis para o bom crescimento e desenvolvimento dos cultivos. O problema torna mais vulneráveis os agricultores familiares, colocando em risco sua capacidade produtiva e sua segurança alimentar.

“O algodão sustentável é uma cultura que gera uma renda importante para as famílias agricultoras e pode ser um aliado na luta contra a desertificação e para frear a degradação das terras. Dessa maneira, contribui para deter a perda de biodiversidade dos solos, no marco da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável”, completa Adriana.

De acordo com a responsável pelo Regional +Algodão, quando comparados à média nacional, os resultados das últimas safras de algodão no Paraguai mostram um aumento de 50% na produtividade do cultivo nas parcelas de terra sob gestão do projeto. No Peru, o crescimento variou de 80% a 200%.

Mais de mil pessoas no Paraguai e no Peru ampliaram seus conhecimentos em preparação de solo e fertilização, plantio mecanizado, manejo integrado de pragas e controle de crescimento das plantas, e manejo de pesticidas, além de uma melhora gestão dos custos na propriedade, graças às capacitações promovidas pelo Projeto +Algodão.


Mais notícias de:

Comente

comentários