Em dia internacional, UNESCO lembra que luta contra escravidão é universal e contínua

Em mensagem para o Dia Internacional para Relembrar o Tráfico de Escravos e sua Abolição, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, disse honrar a memória de homens e mulheres que revoltaram-se no atual Haiti em 1791 e abriram caminho para o fim da escravidão. “Honramos a memória deles e a de todas as outras vítimas da escravidão, as quais eles representam”, declarou.

“A luta contra o tráfico e a escravidão é universal e contínua. É a razão pela qual a UNESCO liderou os esforços para lançar o Dia Internacional para Relembrar o Tráfico de Escravos e sua Abolição. Este dia especial reconhece a luta decisiva daqueles que, submetidos à negação de sua própria humanidade, triunfaram sobre o sistema escravista e afirmaram a natureza universal dos princípios da dignidade humana, liberdade e igualdade.”

Evento de lavagem do Cais do Valongo, em 2015. Foto: Milton Guran

Evento de lavagem do Cais do Valongo, em 2015. Foto: Milton Guran

Em mensagem para o Dia Internacional para Relembrar o Tráfico de Escravos e sua Abolição, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, disse honrar a memória de homens e mulheres que revoltaram-se no atual Haiti em 1791 e abriram caminho para o fim da escravidão. “Honramos a memória deles e a de todas as outras vítimas da escravidão, as quais eles representam”, declarou.

“A luta contra o tráfico e a escravidão é universal e contínua. É a razão pela qual a UNESCO liderou os esforços para lançar o Dia Internacional para Relembrar o Tráfico de Escravos e sua Abolição. Este dia especial reconhece a luta decisiva daqueles que, submetidos à negação de sua própria humanidade, triunfaram sobre o sistema escravista e afirmaram a natureza universal dos princípios da dignidade humana, liberdade e igualdade.”

Azoulay afirmou que o horror da escravidão nos faz pensar e questionar a humanidade. Segundo ela, a escravidão é o produto de uma visão de mundo racista que perverte todos os aspectos da atividade humana. Estabelecida como um sistema de pensamento, ilustrado em todas as formas de trabalhos filosóficos e artísticos, essa perspectiva tem sido a base de práticas políticas, econômicas e sociais de alcance global e com consequências no mundo, disse. “Persiste hoje em discursos e atos de violência que não são isolados e estão diretamente ligados a essa história intelectual e política.”

“Para extrair lições dessa história, devemos expor esse sistema, desconstruir os mecanismos retóricos e pseudocientíficos utilizados para justificá-lo; devemos nos recusar a aceitar qualquer concessão ou apologia que constitua um comprometimento de princípios. Tal lucidez é o requisito fundamental para a reconciliação da memória e da luta contra todas as formas atuais de escravização, que continuam a afetar milhões de pessoas, particularmente mulheres e crianças.”

O ano de 2019 é particularmente importante para este dia comemorativo, afirmou. “É hora de se fazer um balanço e adotar novas perspectivas, uma vez que foi transcorrida a metade da Década Internacional dos Afrodescendentes (2015-2024), proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas para incentivar os Estados-membros a buscar estratégias de combate ao racismo e à discriminação.”

Azoulay lembrou que este ano também marca o 25º aniversário do Projeto da UNESCO Rota do Escravo: Resistência, Liberdade, Patrimônio. Por um quarto de século, a Organização tem trabalhado para ajudar governos, universidades, mídia e sociedade civil a examinar esse trágico capítulo da nossa história; combater a ignorância e a negação de um passado que, no entanto, foi extensivamente documentado em forma escrita, oral e material; e sensibilizar a todos quanto a essa herança em toda a sua complexidade.

Os holofotes estarão brilhando neste aniversário em Benin, onde o Projeto foi lançado em 1994, e onde o Comitê Científico Internacional do Projeto da Rota dos Escravos irá analisar o trabalho realizado até aqui e buscar uma nova abordagem sobre as atuais circunstâncias globais.

Finalmente, 2019 é o ano em que Gana celebra o Ano do Retorno e os laços históricos do país com a Diáspora Africana, um reconhecimento que marca o 400º aniversário da chegada dos primeiros escravos africanos à colônia inglesa de Jamestown.

“Todas essas celebrações nos encorajam a continuar lutando para acabar com a exploração humana e garantir que a memória das vítimas e dos combatentes da liberdade continue sendo uma fonte de inspiração para as futuras gerações”, concluiu.