Em dia internacional, ONU defende igualdade de direitos e mais acesso a serviços para pessoas LGBTI

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Por ocasião do Dia Internacional contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia, lembrado nesta quarta-feira (17), dirigentes da ONU fizeram um apelo por mais respeito ao amor em toda a sua diversidade. Agências da ONU defenderam o fim da discriminação, ainda responsável por excluir pessoas LGBTI dos serviços de saúde, do mercado de trabalho e da proteção institucional para famílias e casais.

No Brasil, representantes das Nações Unidas alertaram para a violência motivada pela orientação sexual em evento na sede nacional do organismo, localizada em Brasília.

Em Belo Horizonte, jovens realizam uma partida de 'queimado' temática, para discutir questões de gênero e orgulho LGBTI. Imagem de 2016. Foto: Mídia Ninja (CC)

Em Belo Horizonte, jovens realizam uma partida de ‘queimado’ temática, para discutir questões de gênero e orgulho LGBTI. Imagem de 2016. Foto: Mídia Ninja (CC)

Por ocasião do Dia Internacional contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia, lembrado nesta quarta-feira (17), dirigentes da ONU fizeram um apelo por mais respeito ao amor em toda a sua diversidade. Agências da ONU defenderam o fim da discriminação, ainda responsável por excluir pessoas LGBTI dos serviços de saúde, do mercado de trabalho e da proteção institucional para famílias e casais.

No Brasil, representantes das Nações Unidas alertaram para a violência motivada pela orientação sexual em evento na sede nacional do organismo, localizada em Brasília.

“Hoje, estou profundamente preocupada com a banalização excessiva de insultos, de comentários homofóbicos na mídia, no dia a dia, nas redes sociais, vindo até mesmo de líderes políticos. E eu estou assustada com os resultados de investigações sobre discriminação, violência e perseguição a homossexuais e pessoas trans”, disse em mensagem para a data a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova.

A chefe da agência da ONU enfatizou que “a história nos ensina até onde a violência homofóbica pode ir”. “Temos que nos lembrar do passado para prevenir a violência hoje. Lembremos a situação dos homossexuais no regime nazista, internados em campos de “re-educação”, e mortos. As Nações Unidas foram criadas para prevenir que tais crimes aconteçam novamente”, ressaltou Bokova.

O diretor-executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), Michel Sidibé, defendeu o princípio da Zero Discriminação e alertou que “muitos gays e pessoas trans (ainda) são rejeitadas por suas famílias, indo morar nas ruas e enfrentando todos os tipos de discriminação e violência”.

Atualmente, homens gays e outros homens que fazem sexo com outros homens tem chances 24 vezes maiores de contrair HIV do que homens heterossexuais. Quando consideradas as pessoas trans, a probabilidade chega a ser 49 vezes mais alta. Mesmo quando chegam aos sistemas de saúde, pessoas LGBTI frequentemente enfrentam preconceito, o que as torna mais vulneráveis à epidemia de HIV/AIDS.

“Este não é o caminho para sociedades saudáveis e produtivas. Temos que encorajar a inclusão e a compaixão e garantir que redes de apoio estejam prontas, incluindo aí o acesso a serviço sociais e de saúde essenciais”, disse Sidibé, que frisou que, segundo o direito internacional, países têm uma obrigação legal em combater a discriminação na saúde e no ambiente de trabalho.

Em 2017, o UNAIDS marca o Dia Internacional com o tema “Uma família é feita de amor”. O objetivo do posicionamento é defender e celebrar a diversidade de configurações familiares formadas por indivíduos LGBTI, além de lembrar o importante papel que parentes desempenham na promoção do bem-estar de gays, lésbicas, bissexuais, trans e intersex.

Sidibé reiterou que “as famílias vêm em todas as formas e tamanhos”. “Todos nós temos a responsabilidade de respeitar e proteger uns aos outros”, acrescentou.

“A família é o principal contexto social para o desenvolvimento do crescimento da pessoa em sua maravilhosa diversidade. Minha família tem crescido ao longo da minha viagem: encontrei meu filho na África e meu parceiro na América Central e nos casamos na Argentina. Hoje, somos uma família, um refúgio que oferece segurança, amor e uma possibilidade real de exercer plenamente os direitos humanos”, conta Alberto Stella, funcionário do UNAIDS.

A partir de 2009, a agência da ONU promoveu ativamente o reconhecimento equitativo de casamentos e uniões dentro do sistema das Nações Unidas. O UNAIDS foi um dos pioneiros a estender os benefícios a parceiros de funcionários que entraram em uma união civil ou em casamento reconhecido por uma autoridade legislativa competente, independentemente da nacionalidade do funcionário.

O Secretariado das Nações Unidas e outras entidades adotaram mais tarde uma política semelhante em 2014. O UNAIDS também foi uma das instituições da ONU a estabelecer uma política de diversidade. A Política do UNAIDS sobre Diversidade e Inclusão faz referência específica às parcerias entre pessoas do mesmo sexo e à política do UNAIDS de tolerância zero para a discriminação.

O diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Rider, lembrou que a vida familiar é muitas vezes afetada pelos problemas que pessoas LGBTI enfrentam no local de trabalho apenas por serem quem são e por amarem quem amam. Ele criticou o fato de que o mundo da produção ainda é dominado por uma perspectiva heteronormativa.

“Por exemplo, trabalhadores LGBT podem ser excluídos da concessão de licenças e benefícios, como a licença parental, porque suas famílias não se encaixam nas normas tradicionais. Além disso, o medo da discriminação significa que muitos empregados LGBT escondem sua orientação sexual e identidade de gênero, especialmente no início de suas carreiras. Isso singifica que, mesmo quando a proteção social pode estar disponível para eles e suas famílias, o medo de ser abrir bloqueia o acesso”, argumentou.

Também por ocasião do Dia Internacional, o diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Lacy Swing, reiterou que viver em igualdade e livre de discriminação é um direito humano fundamental que pertence a todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

“Setenta e cinco países ainda têm leis criminalizando relações entre pessoas do mesmo sexo, com penas tão extremas como a pena de morte. Nessas comunidades, a discriminação está muitas vezes profundamente entranhada. Isso pode ser um fator por que alguém migra ou se torna um deslocada”, explicou.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) também se manifestou em prol dos direitos das pessoas LGBTI e pelo fim da discriminação.

“As famílias desempenham papel vital na garantia do bem-estar ao propiciar as condições e oportunidades essenciais ao desenvolvimento humano. As múltiplas e sobrepostas formas de discriminação, a ameaça da violência e a violência em si aumentam o risco de exclusão, e a exclusão da vida familiar tira oportunidades de jovens LGBTI, conduzindo-os à marginalização”, alertou o administrador interino da agência da ONU, Tegegnework Gettu.

Por outro lado, lembrou o dirigente, em muitas partes do mundo, as famílias formadas por gays, lésbicas, bissexuais, indivíduos trans e intersex não têm reconhecimento legal e enfrentam múltiplas formas de estigmatização em seu cotidiano. “Neste dia, vamos nos comprometer, mais uma vez, com a construção de um mundo mais justo e mais inclusivo, onde o bem-estar, as oportunidades e a dignidade humana sejam para todas e todos, incluindo pessoas LGBTI e suas famílias”, cobrou Gettu.

UNESCO Brasil lança publicação sobre orientação sexual nas escolas

Nesta quarta-feira (17), a UNESCO no Brasil aproveitou a data mundial para lançar a versão em português da publicação Jogo Aberto: Respostas do setor de educação à violência com base na orientação sexual e na identidade/expressão de gênero.

A Rede Brasil do Pacto Global — coligação do setor privado comprometida com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável — lembrou que, entre os princípios do Pacto, está a eliminação de qualquer tipo de discriminação no emprego. A entidade parabenizou todas as empresas e organizações que abraçam a causa LGBT e constroem um ambiente de trabalho com mais inclusão, respeito e tolerância.

Também nesse dia internacional, funcionários da ONU no Brasil reuniram-se na sede nacional do organismo, em Brasília, em uma cerimônia que contou com pronunciamentos do coordenador-residente das Nações Unidas, representantes de diversas agências, do corpo diplomático presente na capital e do governo federal, este representado pela Secretaria de Direitos Humanos. Ao final, ocorreu uma apresentação de teatro com um grupo formado por pessoas trans.

Confira abaixo a gravação da atividade:

 

Dia Internacional pela Luta contra a Transfobia e Homofobia na Casa da ONU Brasil.
#idahot #cultureoflove #standup4humanrights #FreeAndEqual

Publié par ONU Brasil sur mercredi 17 mai 2017


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