Em cúpula da ONU, países concordam em unir ação climática à proteção social

Países que participaram da Cúpula de Ação Climática da ONU, em Nova Iorque, na segunda-feira (23), se comprometeram a elaborar planos nacionais para uma transição justa rumo a uma economia neutra de emissões de carbono.

Segundo o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder, uma transição justa significa garantir que as ações climáticas que adotamos protejam o planeta, as pessoas e a economia.

“Esta iniciativa foi criada para incentivar a coerência das políticas em torno de medidas que aumentem as oportunidades de trabalho verde decente, o desenvolvimento de habilidades e a inovação empresarial, juntamente com medidas de proteção social para as pessoas mais vulneráveis.”

Após a Cúpula de Ação Climática da ONU, em Nova Iorque, o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, disse que uma transição justa significa garantir que as ações climáticas protejam o planeta, as pessoas e a economia. Foto: OIT

Após a Cúpula de Ação Climática da ONU, em Nova Iorque, o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, disse que uma transição justa significa garantir que as ações climáticas protejam o planeta, as pessoas e a economia. Foto: OIT

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, instou os governos a adotarem medidas centradas nas pessoas para criar trabalho decente e proteger os meios de subsistência à medida que o mundo avança rumo a uma economia neutra de emissões de carbono.

Dirigindo-se a delegados na Cúpula de Ação Climática da ONU em Nova Iorque, Sánchez disse: “a transição econômica de que precisamos não pode deixar ninguém para trás, tem que ser uma transição justa”. “Nossas ambições e compromissos sociais relacionados ao clima também devem andar de mãos dadas com a promoção da igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas.”

“A Espanha estará na vanguarda de uma transição que coloca as pessoas no centro da ação. Junto com a OIT, a Espanha deseja promover uma parceria internacional em prol de uma transição justa.”

Os compromissos representam uma significativa mobilização de governos, organizações de empregadores, sindicatos, agências das Nações Unidas e da sociedade civil para colocar em prática um programa compartilhado para promover uma transição justa rumo a economias e sociedades ecologicamente sustentáveis para todas e todos.

Após a cúpula, o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder, declarou que uma transição justa significa garantir que as ações climáticas que adotamos protejam o planeta, as pessoas e a economia. “Esta iniciativa foi criada para incentivar a coerência das políticas em torno de medidas que aumentem as oportunidades de trabalho verde decente, o desenvolvimento de habilidades e a inovação empresarial, juntamente com medidas de proteção social para as pessoas mais vulneráveis.”

Ryder saudou os compromissos assumidos pelos países de elaborar planos nacionais para uma transição justa e de criar empregos verdes decentes. Dados da OIT mostram que medidas para tornar verde a produção e o uso de energia podem levar a ganhos no número de postos de trabalho de cerca de 24 milhões de empregos até 2030.

Ao anunciar a criação da Iniciativa de Ação Climática para o Emprego, às vésperas da reunião de cúpula, o secretário-geral da ONU, António Guterres destacou: “as empresas não podem prosperar em um planeta doente”. “Os empregos não podem ser mantidos em um planeta que está morrendo. Necessitaremos que os governos, as empresas e as pessoas em toda as partes unam-se a estes esforços a fim de garantir que possamos acelerar a Ação Climática.”

A iniciativa propõe medidas específicas que os países devem incluir em seus planos nacionais, incluindo avaliar os impactos sociais, econômicos e de emprego da ação climática; implementar medidas de desenvolvimento e atualização de habilidades; formular políticas inovadoras de proteção social para proteger trabalhadores e grupos vulneráveis; aumentar a transferência de tecnologia e conhecimento para os países em desenvolvimento, inovação e investimento responsável.

Também sugere promover um ambiente de negócios propício que permita às empresas, particularmente pequenas e médias, adotar processos de produção com baixas emissões de carbono; elaborar políticas econômicas e incentivos para apoiar e incentivar a transição das empresas rumo à produção ambientalmente sustentável de bens e serviços; criar mecanismos para o diálogo social inclusivo, a fim de alcançar um consenso em favor de mudanças transformadoras e sustentáveis.

As Diretrizes da OIT para uma Transição Justa (em inglês), adotadas por meio de consenso tripartite, oferecem uma estrutura para orientar a transição rumo a economias com baixas emissões de carbono.

A iniciativa será implementada sob a direção da OIT, com o apoio de outros parceiros, incluindo a Confederação Sindical Internacional e a Organização Internacional dos Empregadores.