Em conferência na ONU, países definem ações urgentes para recuperar saúde dos oceanos

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Conferência inédita das Nações Unidas terminou com acordo global para reverter o declínio da saúde dos oceanos e recebeu mais de 1,3 mil compromissos públicos de governos, empresas, organizações não governamentais, centros de pesquisa e organismos internacionais.

A Conferência sobre os Oceanos aconteceu entre os dias 5 e 9 de junho na sede da ONU, em Nova Iorque. Foto: ONU/Kim Haughton

A Conferência sobre os Oceanos aconteceu entre os dias 5 e 9 de junho na sede da ONU, em Nova Iorque. Foto: ONU/Kim Haughton

Os 193 Estados-membros das Nações Unidas concordaram na última sexta-feira (9) em estabelecer medidas para começar a reverter o declínio da saúde dos oceanos. O acordo foi alcançado durante a Conferência sobre os Oceanos, encontro global inédito realizado entre os dias 5 e 9 de junho.

O documento final foi acompanhado de cerca de 1,3 mil compromissos de diversos segmentos – governos, sociedade civil, empresas, centros de pesquisa e organismos internacionais, entre outros –, marcando um avanço na abordagem global da gestão e conservação dos oceanos.

As Nações Unidas acreditam que a conferência elevou a consciência global sobre problemas dos mares que vão desde a poluição marinha até a pesca ilegal e indiscriminada, bem como a acidificação dos oceanos e a falta de governança do alto-mar. Ao incluir todas as partes interessadas na discussão, o evento produziu uma gama de soluções práticas e abrangentes.

“A Conferência sobre os Oceanos mudou nosso relacionamento com o oceano”, afirmou o presidente da Assembleia Geral da ONU, Peter Thomson. “De agora em diante, ninguém pode dizer que não está ciente do mal que a humanidade tem feito à saúde marinha. Estamos agora trabalhando em todo o mundo para restaurar uma relação de equilíbrio e respeito com o oceano.”

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais e secretário-geral da Conferência, Wu Hongbo, afirmou que o encontro marcou um grande passo para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

“Participantes dos Estados-membros, ONGs, sociedade civil, setor privado, comunidade científica e acadêmica dedicaram-se a uma ampla discussão, compartilharam conhecimentos de última geração e informações mais recentes sobre ciência e desafios marinhos”, disse Wu. “Foram apresentadas várias soluções inovadoras que podem nos ajudar a alcançar o Objetivo 14 e, por meio de seus vínculos, os demais objetivos.”

Os resultados da conferência reconhecem que o bem-estar das gerações atuais e futuras está indissociavelmente ligado à saúde e à produtividade do oceano. Sendo assim, os países concordaram coletivamente em um chamado à ação “para agir decisiva e urgentemente, convencendo-se que nossa ação coletiva fará uma diferença significativa para nossa população, nosso planeta e nossa prosperidade”.

No chamado à ação, formalmente adotado no final do evento, os países consideraram implementar estratégias sólidas em longo prazo para reduzir o uso de plásticos e microplásticos, como sacolas e materiais descartáveis.

Os governos também concordaram em desenvolver e implementar medidas efetivas para diminuição da acidificação oceânica e costeira, aumento do nível do mar e aumento das temperaturas do oceano e outros impactos das mudanças climáticas na vida marinha.

O chamado reconhece a importância do Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas. Ele inclui também medidas para proteger ecossistemas costeiros e de carbono azul, tais como manguezais, pântanos-de-maré, ervas marinhas e recifes de corais, além de ecossistemas interconectados mais amplos. Além disso, pede o reforço do manejo sustentável da pesca, incluindo a restauração das unidades populacionais de peixes no menor tempo possível, a níveis que possam produzir um rendimento sustentável.

Acesse o documento final: oceanconference.un.org/callforaction.

Acesse a lista de pouco mais de 1.300 compromissos voluntários: oceanconference.un.org/commitments.


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