Em clima de tensão eleitoral, milhares de civis fogem para países vizinhos ao Burundi, alerta ONU

Até agora, aproximadamente 144 mil burundianos foram registrados como refugiados nos países vizinhos desde o início da turbulência política do país, em abril.

Refugiados do Burundi, a maioria mulheres e crianças, esperam na margem do Lago Tanganicaa para serem transferidos de barco para Kigoma e depois para o campo de refugiados de Nyarugusu. Foto: ACNUR/ B. Loyseau

Refugiados do Burundi, a maioria mulheres e crianças, esperam na margem do Lago Tanganicaa para serem transferidos de barco para Kigoma e depois para o campo de refugiados de Nyarugusu. Foto: ACNUR/ B. Loyseau

Cerca de 10 mil refugiados fugiram de Burundi nos dias 27 e 28 de junho, antes que as autoridades conseguissem fechar as fronteiras antes da realização das eleições parlamentares nesta segunda-feira (29), declarou o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

A porta-voz do ACNUR, Melissa Fleming, explicou que a fronteira do Burundi ficaria fechada por 48 horas de acordo com a prática habitual durante as eleições, forçando refugiados a cruzar a fronteira através da floresta. Receando mais deslocamentos, a agência da ONU e seus parceiros lançaram um apelo equivalente a 207 mil dólares para proteger e assistir até 200 mil burundianos.

Até agora, aproximadamente 144 mil burundianos foram registrados como refugiados nos países vizinhos desde o início da turbulência política do país, em abril. No entanto, acredita-se que muitos outros fugiram do país, mas não foram registrados. Os últimos números oficiais mostram que há 66 mil na Tanzânia, 56 mil em Ruanda, 9,038 mil em Uganda, 11.500 mil na República Democrática do Congo e 400 na Zâmbia.

Após as eleições legislativas, os burundianos devem voltar às urnas no próximo 15 de julho para escolher seu presidente. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon incentivou as autoridades do país a postergar o pleito para um momento mais propício, que permita a realização de eleições “inclusivas, transparentes e pacíficas”.

As tensões políticas se iniciaram em 26 de abril na capital Bujumbura depois do partido no poder indicar o atual presidente Pierre Nkurunziza como seu candidato para um terceiro turno, em gesto inconstitucional.