Em Bruxelas, países prometem US$ 6 bilhões para crise humanitária na Síria

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Atualmente, cerca de 13,5 milhões de pessoas na Síria precisam de ajuda urgente, e há mais de 5 milhões de refugiados sírios no Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia. Centenas de sírios também enfrentaram o perigo da viagem à Europa.

Comboios da ONU em meio a prédios em ruínas na antiga cidade de Homs, na Síria. Foto: UNICEF/Ebo

Comboios da ONU em meio a prédios em ruínas na antiga cidade de Homs, na Síria. Foto: UNICEF/Ebo

Durante conferência internacional realizada em Bruxelas sobre a Síria, 41 Estados-membros das Nações Unidas prometeram na quarta-feira (5) doar um total de 6 bilhões de dólares para apoiar programas humanitários críticos para o país em 2017.

Outros 3,7 bilhões de dólares foram prometidos para dar suporte em 2018 à população afetada pelo conflito que já dura mais de seis anos.

Atualmente, cerca de 13,5 milhões de pessoas na Síria precisam de ajuda urgente, e há mais de 5 milhões de refugiados sírios no Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia. Centenas de civis do país também enfrentaram o perigo da viagem à Europa.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, chamou a atenção para o sofrimento do povo da Síria e pediu à comunidade internacional que aumente o apoio aos sírios, às centenas de pessoas refugiadas do país e às comunidades de acolhimento.

“As necessidades de ajuda humanitária e de proteção dos civis nunca foram tão grandes e o apelo humanitário a uma única crise nunca foi tão elevado”, destacou Guterres durante o encontro.

“As agências das Nações Unidas e nossos parceiros estão determinados a alcançar todos em necessidade através de todos os meios possíveis”, continuou.

Ele também apelou aos países desenvolvidos que não fechem as fronteiras ou reduzam as oportunidades de reassentamento, e pediu à comunidade internacional para proteger a integridade do regime internacional de proteção aos refugiados.

Famílias que se deslocaram dos intensos conflitos em Alepo, na Síria, refugiam-se em grande armazém em Jibreen. Foto: UNICEF/Al-Issa

Famílias que se deslocaram dos intensos conflitos em Alepo, na Síria, refugiam-se em grande armazém em Jibreen. Foto: UNICEF/Al-Issa

“O mundo deve compartilhar a responsabilidade pelos refugiados sírios de forma mais equitativa. Centenas de homens, mulheres e crianças permanecem em condições de cerco e longe do alcance da ajuda humanitária, e as violações do direito internacional humanitário continuam sendo uma realidade no país”, frisou.

Os recursos prometidos hoje serão destinados ao alívio humanitário, a proteger as populações vulneráveis e a construir a resiliência das pessoas em necessidade. O financiamento também visa a ajudar os países vizinhos à Síria a suportar o pesado fardo causado pelos efeitos da crise.

Os planos de respostas coordenados pela ONU para a Síria demandam um total de 8 bilhões de dólares apenas para 2017. O objetivo é que o financiamento contribua para alcançar 12,8 milhões de pessoas ainda este ano.

“Promessas devem ser transformadas em ações o quanto antes”

Elogiando as promessas de financiamento, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien, disse que a solidariedade internacional chegou em um momento ideal.

“O encontro foi uma oportunidade importante para a maior parte do mundo se reunir e se empenhar mais fortemente no apoio e na solidariedade aos sírios e aos afetados em toda a região”, destacou.

Ele observou que a falta de acesso humanitário a mais de 4,7 milhões de pessoas em zonas sitiadas e de difícil alcance continua sendo um obstáculo importante para a prestação de socorro.

“Durante a reunião, ouvimos compromissos de vários países para continuarmos a usar recursos humanitários através de programas regulares, através de linhas de conflito, além fronteiras e através de operações aéreas”, acrescentou O’Brien, pedindo aos países que traduzissem as promessas em fundos reais.

“Precisamos ver essas promessas transformadas em dinheiro o quanto antes”, concluiu.


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