Em Brasília, refugiados concluem profissionalização para trabalhar em restaurantes

Refugiados e solicitantes de refúgio concluíram em fevereiro, em Brasília, o curso de garçom da Escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Profissionalização foi promovida pelo Ministério da Justiça e da Segurança Pública (MJSP) e teve a participação de alunos venezuelanos, camaroneses, ganeses e brasileiros.

Ministro Sergio Mouro cumprimenta e parabeniza os recém-formados. Foto: MJSP/Isaac Amorim

Ministro Sergio Mouro cumprimenta e parabeniza os recém-formados. Foto: MJSP/Isaac Amorim

Refugiados e solicitantes de refúgio concluíram em fevereiro, em Brasília, o curso de garçom da Escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Profissionalização foi promovida pelo Ministério da Justiça e da Segurança Pública (MJSP) e teve a participação de alunos venezuelanos, camaroneses, ganeses e brasileiros.

“Meu compromisso como pessoa é buscar melhor qualidade de vida e também ajudar minha família que ficou no meu país. Todas as profissões são dignas, temos que ter humildade de recomeçar”, diz Yenni Torres, que é engenheira industrial de formação e está há pouco mais de um ano no Brasil.

O esposo, engenheiro mecânico, trabalha como motorista de Uber. O casal tem duas crianças, que estão matriculadas na escola no Brasil.

A capacitação fez parte do SENAC Gratuidade — projeto que oferece cursos totalmente gratuitos, com carga de 240 horas. O público-alvo são pessoas de baixa renda que buscam se inserir no mercado de trabalho.

Além de cinco solicitantes de refúgio da Venezuela, a turma também teve a participação de três refugiados de Gana e de Camarões e quatro brasileiros. Ao longo do curso, que começou em 14 de janeiro, os beneficiados tiveram aulas no restaurante-escola do SENAC, localizado ao lado da pasta da Justiça na capital federal.

Na avaliação do responsável pela formação, Hélder Cassiano, os estudantes — oito homens e quatro mulheres — saíram do curso preparados para o mercado de trabalho. Durante a capacitação, os alunos encararam jornadas de oito horas de aprendizagem.

“Eles passaram por todo o processo de trabalho em um restaurante, desde o recebimento da mercadoria e o contato com os fornecedores, até a entrega final aos clientes no salão”, explicou Cassiano.

Para o coordenador, que tem mais de 30 anos de experiência, o que mais chamou a atenção foi “o empenho dos refugiados para alcançar seus objetivos no Brasil”.

O treinamento do SENAC enfatizou a importância da integração dos migrantes na sociedade brasileira. A turma incluiu estudantes brasileiros e adaptou as aulas para atender às necessidades específicas de idioma e de diferenças culturais.

O Ministro da Justiça, Sergio Mouro, compareceu à cerimônia de encerramento do curso, onde destacou a recepção positiva de estrangeiros pelo Brasil. “O importante é construir oportunidades. Infelizmente, por problemas dos mais diversos, essas pessoas deixaram seu país, mas aqui encontraram uma acolhida generosa”, disse o chefe da pasta para os formandos.

O camaronês Pegui Ngwese, de 23 anos, espera conseguir um emprego com as novas qualificações. “O curso é uma oportunidade para uma carreira porque, sem carreira, você não tem objetivo, não tem nada.”

Pegui vive no Brasil com a mãe e outros cinco irmãos. Atualmente, ele cursa o terceiro semestre da faculdade de Administração da Universidade de Brasília (UnB). Para ajudar a família, o camaronense oferece aulas particulares de francês e inglês

A matrícula na universidade foi possível por meio da Cátedra Sérgio Vieira de Mello, uma iniciativa da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) para facilitar a inserção de estrangeiros no ensino superior e fomentar debates acadêmicos sobre deslocamento forçado. O Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE) também apoia o projeto.

Empregabilidade

Projetos de empregabilidade são apoiados e incentivados pelo ACNUR. Assim como Yenni e Pegui, os demais beneficiados tiveram a oportunidade de participar da formação por conta do encaminhamento feito pelo Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH).

“Iniciativas como essas são fundamentais para ampliar e aprofundar a integração de migrantes e solicitantes de refúgio na sociedade brasileira. Por meio de esforços conjuntos com o governo e a sociedade civil, o ACNUR trabalha para garantir que as pessoas não sejam somente acolhidas, mas que também encontrem oportunidades e recomeços dignos”, afirma Paulo Sérgio, oficial de Meios de Vida do organismo das Nações Unidas.

A ideia de oferecer o curso para refugiados partiu da Secretaria Nacional de Justiça (SNJ), que procurou o SENAC do Distrito Federal. O objetivo era incentivar uma participação mais ativa da pasta da Justiça e Segurança Pública no apoio a refugiados e solicitantes de refúgio.

Com o sucesso do curso, a parceria entre o Ministério e o SENAC deve continuar. A escola mantém um Núcleo de Relacionamento Empresarial — um sistema de cadastro por meio do qual faz a ponte entre o setor privado e os alunos que têm interesse em ingressar no mercado de trabalho.


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