Em Boa Vista, torneio de futebol reúne jogadores brasileiros, venezuelanos e haitianos

Oswaldo Dias é venezuelano e apaixonado por esportes. No Brasil, o senhor de 60 anos promove há quase três décadas o Futebol Show, evento que reúne ex-jogadores, amadores e apaixonados pela modalidade. A iniciativa mobiliza pessoas de várias idades e nacionalidades. No último domingo (30), o projeto ganhou reforço — refugiados participaram da edição do encontro realizada em Boa Vista (RR).

Jogadores brasileiros, venezuelanos e haitianos que participaram do Futebol Show posam com profissionais do ACNUR para uma foto após os jogos. Foto: ACNUR/Aline Maccari

Jogadores brasileiros, venezuelanos e haitianos que participaram do Futebol Show posam com profissionais do ACNUR para uma foto após os jogos. Foto: ACNUR/Aline Maccari

Oswaldo Dias é venezuelano e apaixonado por esportes. No Brasil, o senhor de 60 anos promove há quase três décadas o Futebol Show, evento que reúne ex-jogadores, amadores e apaixonados pela modalidade. A iniciativa mobiliza pessoas de várias idades e nacionalidades. No último domingo (30), o projeto ganhou reforço — refugiados participaram da edição do encontro realizada em Boa Vista (RR).

Oswaldo conseguiu reunir jogadores do Brasil, Venezuela e Haiti para jogarem entre si. “Um jogo formado por jogadores refugiados e migrantes estimula ainda mais a solidariedade entre os povos, o intercâmbio cultural, criando uma verdadeira irmandade”, afirma o idealizador do Futebol Show.

Em campo, os jogadores defenderam os clubes recém-criados — Baré Esporte Clube foi o nome dado à equipe brasileira, que enfrentou o Union Haiti, dos haitianos residentes em Boa Vista, e a Selección de Inmigrantes de Venezuela Futbol Club, composta pelos venezuelanos.

Nem mesmo a chuva típica desta época do ano desanimou os jogadores no gramado do campo Rei Pelé. Com a dedicação e a seriedade de atletas profissionais, os futebolistas se esforçaram para vencer o torneio. Nas arquibancadas, a torcida venezuelana compareceu em peso com gritos de apoio e muita música. Os jogos foram transmitidos ao vivo pela rádio Roraima AM.

Na primeira partida, o time do Brasil venceu o dos venezuelanos por 3 a 2. Na rodada seguinte, os haitianos golearam a Venezuela por 6 a 0. A final foi disputada pelos brasileiros do Baré Esporte Clube contra o time do Union Haiti. Após os 90 minutos em campo, prevaleceu a equipe haitiana, que garantiu a vitória com um placar de 6 a 1.

A confraternização do final de semana marcou a retomada do Futebol Show, que não pôde ser realizado no ano passado devido à chega de um número expressivo de venezuelanos ao Brasil. “Tudo foi muito conturbado”, lembra Oswaldo, que temia pelo fim do tradicional evento.

Com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e da União Europeia, o venezuelano conseguiu voltar a organizar o campeonato.

O técnico da equipe da Venezuela, Henry Fermin, de 55 anos, resumiu a proposta do torneio. “Foi uma grande oportunidade de reunir as pessoas refugiadas e migrantes em torno de um evento esportivo que agrega as pessoas, mesmo em tempos tão difíceis.”

Lúcio Every da Silva Ferreira, militar brasileiro da Reserva e técnico do time brasileiro, afirmou que “o esporte tem a função de unir as pessoas e isso é um privilégio por agregar pessoas refugiadas ao redor de uma mesma causa”.

Entre os vencedores do dia, estava o pintor e jovem haitiano, Jefte Aurelien, de 26 anos, que levantou o troféu de campeão. “Foi uma honra partilhar o campo com brasileiros e venezuelanos. O evento foi um sucesso e, se houver uma nova edição no próximo ano, gostaria de participar novamente”, disse o haitiano.

Oswaldo Dias, que viu seu projeto renascer ao agregar outras nacionalidades, olha para o futuro pensando em criar uma escolinha de futebol, a fim de estimular novos talentos e laços sociais. Empenho, dedicação e paixão pelo esporte já estão garantidos por quem hoje reside em Boa Vista.