Em Bangladesh, temporal de 72 horas inunda assentamentos de refugiados rohingya

Três dias ininterruptos de chuva em Bangladesh destruíram 273 abrigos e feriram 11 pessoas no assentamento de Cox’s Bazar, onde vivem mais de 900 mil refugiados rohingya. O temporal, que teve início na segunda-feira, teria provocado 26 deslizamentos de terra, segundo informações divulgadas nesta semana pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Encosta num campo de refugiados rohingya afetada pela chuva torrencial em Bangladesh. Foto: ACNUR/ Steven Corliss

Encosta num campo de refugiados rohingya afetada pela chuva torrencial em Bangladesh. Foto: ACNUR/
Steven Corliss

Três dias ininterruptos de chuva em Bangladesh destruíram 273 abrigos e feriram 11 pessoas no assentamento de Cox’s Bazar, onde vivem mais de 900 mil refugiados rohingya. O temporal, que teve início na segunda-feira, teria provocado 26 deslizamentos de terra, segundo informações divulgadas nesta semana pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Estima-se que choveram 350 mm em 72 horas após o começo das precipitações. Chuvas mais fortes são esperadas ao longo da próxima semana, em meio à chegada das monções na Ásia.

Durante toda a noite de quarta-feira, refugiados que são voluntários treinados pelo ACNUR e por instituições parceiras trabalharam debaixo de chuva para ajudar famílias que precisavam de ajuda urgente. Em alguns casos, foi preciso resgatar refugiados de abrigos que tinham sido destruídos por deslizamentos de terra.

O ACNUR realocou temporariamente 2.137 pessoas, seja porque seus abrigos sofreram danos substanciais ou por precaução. A agência da ONU mobilizou a sua equipe de resposta de emergências, a fim de identificar as necessidades dos refugiados mais vulneráveis e priorizar esses grupos na distribuição de assistência. Suprimentos estão sendo disponibilizados para ajudar a reconstruir, reparar e fortificar os abrigos avariados pelas chuvas.

Refugiados rohingya enfrentaram três dias de chuva contínua que causaram inundações, deslizamentos de terra e danos a estruturas residenciais. Foto: ACNUR/David Azia

Refugiados rohingya enfrentaram três dias de chuva contínua que causaram inundações, deslizamentos de terra e danos a estruturas residenciais. Foto: ACNUR/David Azia

Para lidar com as monções, o ACNUR e organizações colaboradoras — como o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) — trabalham na construção de estruturas de retenção de encostas, na instalação de mecanismos de drenagem e na construção de estradas e pontes. Os organismos também construíram reservatórios para conter as chuvas e estabilizar o abastecimento de água.

Até o momento, o Plano de Resposta Conjunta de 2019 para a crise humanitária dos refugiados rohingya em Bangladesh recebeu apenas um terço — 301 milhões — dos 920 milhões de dólares solicitados à comunidade internacional.

O ACNUR e outas agências já construíram 29,9 km de sistemas de drenagem e 15,2 km de estruturas de contenção de encostas. Também foram construídas 180 pontes, 3,5 km de estrada e 19,2 km de rotas de trânsito, além de 10,9 km de escadas e passagens com degraus.

Antecipando as necessidades provocadas pelas monções, os organismos atuantes em Cox’s Bazar distribuíram 90 mil kits com utensílios de emergência para as famílias de rohingyas. As instituições também já separaram 100 mil kits pós-desastre, que estão prontos para serem entregues na sequência de deslizamentos e inundações.

Mais de 1,2 mil refugiados foram treinados como atendentes de emergência — esses indivíduos eram membros da comunidade ou voluntários da unidade de segurança. Além disso, mais de 80 mil refugiados participaram de uma sessão de conscientização, liderada pelos próprios rohingyas, sobre como se preparar para emergências.

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