Em Bangladesh, temporada de chuvas inunda campos de refugiados rohingya

Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informou que mais de 750 centros de assistência e pelo menos 47 pontos de distribuição de água foram danificados nos campos de refugiados de Cox’s Bazar, no sudeste de Bangladesh.

Equipes do PMA monitoram encostas com risco de deslizamento. Foto: PMA/Gemma Snowdon

Equipes do PMA monitoram encostas com risco de deslizamento. Foto: PMA/Gemma Snowdon

Tempestades, alagamentos e deslizamentos de terra em Bangladesh destruíram instalações de educação, saúde e saneamento básico em campos de refugiados rohingya, deixando crianças e suas famílias em situação crítica. O alerta é do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), que informou na terça-feira (9) que mais de 750 centros de assistência e pelo menos 47 pontos de distribuição de água foram danificados.

A agência da ONU dá apoio a postos que oferecem atendimento médico e também atividades de aprendizagem para meninos e meninas rohingya nos acampamentos de Cox’s Bazar, cidade no sudeste de Bangladesh. O organismo internacional afirmou que cinco dessas instalações sofreram avarias graves e mais de 750 ficaram parcialmente danificadas. O resultado foi a interrupção das aulas em locais de ensino para mais de 60 mil crianças.

Em Cox’s Bazar, mais de 500 mil jovens rohingya precisam de assistência humanitária. Do total de refugiados, 80% dependem completamente da comida doada pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA). Essa população deixou seu país de origem, Mianmar, há quase dois anos, fugindo de violações de direitos humanos e de perseguições violentas orquestradas pelas próprias forças de segurança birmanesas.

Saneamento e alimentação

De acordo com o UNICEF, as chuvas recentes danificaram ou afetaram mais de 600 latrinas. As tempestades estão associadas à chegada da estação de monções. Precipitações intensas foram registradas em Cox’s Bazar desde a semana passada.

Segundo o UNICEF, a destruição da infraestrutura de saneamento aumenta o risco de diarreia entre a população refugiada e de outras doenças transmissíveis pela água.

“As condições nos campos e nas comunidades de acolhimento estão se deteriorando rapidamente por causa do clima brutal”, afirmou o representante interino do UNICEF em Bangladesh, Alain Domsam.

Segundo o dirigente, espera-se que as necessidades humanitárias aumentem nos próximos dias, pois a previsão é de mais chuvas. O UNICEF está ampliando os seus esforços de assistência às crianças na região.

A agência já havia lançado um apelo de 152,2 milhões de dólares para dar apoio em 2019 às crianças refugiadas e aos meninos e meninas das comunidades de acolhimento. Atualmente, o orçamento tem um rombo de 68,7 milhões de dólares.

Por mês, o Programa Mundial de Alimentos já gasta 24 milhões de dólares para suprir as necessidades dos refugiados rohingya.

Em resposta às intempéries, o PMA afirmou que separou 65 toneladas de mantimentos alimentares altamente calóricos para os campos de refugiados. Suprimentos de emergência também foram reservados para permitir a entrega de assistência a mais de 160 mil pessoas. Até segunda-feira (8), o organismo já havia fornecido comida para 6 mil pessoas.

A agência também está apoiando projetos para prevenir o deslizamento de encostas.

“Considerando o dano provocado por essas chuvas torrenciais, é fácil imaginar a devastação que milhares de refugiados rohingya poderiam ter enfrentado se equipes não estivessem no terreno concluindo esses projetos de preparação antes que a estação de monções chegasse”, explicou o porta-voz do PMA, Herve Verhoosel.

“Quase dois anos após a chegada em 2017 de refugiados rohingya, a situação permanece crítica. A vulnerabilidade à insegurança alimentar permanece alta e (a situação) poderia se deteriorar rapidamente caso a assistência humanitária cessasse ou diminuísse.”