Em artigo, Ban Ki-moon analisa reunião sobre desarmamento com esperança

O futuro do planeta não deixa alternativa senão buscar o desarmamento nuclear. A opinião é do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que enfatizou em artigo que a ONU está empenhada em liderar os esforços globais para fazer avançar o desarmamento e a não-proliferação nuclear.

O Secretário-Geral Ban Ki-moon debate no último dia 19 de abril, na Assembleia Geral, sobre o desarmamento nuclear. Foto: UN/Devra Berkowitz.O futuro do planeta não deixa alternativa senão buscar o desarmamento nuclear. A opinião é do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que enfatizou em artigo que a ONU está empenhada em liderar os esforços globais para fazer avançar o desarmamento e a não-proliferação nuclear.

No texto, publicado dias antes do início da abertura da Conferência das Partes para a Revisão do Tratado de não-proliferação de Armas Nucleares (NPT) 2010, que acontece na sede da ONU em Nova York nesta segunda-feira (3 de maio), Ban afirmou que “as Nações Unidas experimentam, atualmente, um novo “marco zero” para o desarmamento global, um marco que já não é de medo, mas de esperança”.

O verdadeiro “marco zero” é o campo desativado de testes nucleares de Semipalatinsk, no Cazaquistão, fechado em 1991 como um passo para a abolição da armas nucleares, e que Ban Ki-moon visitou no início de abril como parte de sua visita oficial à Ásia Central. “Aqueles que estão conosco partilham a visão de um mundo livre das armas nucleares. Se existe uma oportunidade para que as pessoas exijam mudanças em âmbito global, devem pedir uma ação além das medidas cautelosas do passado. O momento é agora”, escreveu Ban no jornal International Herald Tribune.

No artigo, Ban Ki-moon reiterou elogios aos presidentes Barack Obama e Dimitry Medvedev, que recentemente assinaram um novo Tratado sobre a Limitação e Redução de Armas Estratégicas Ofensivas, ou START, chamando-o de um “novo começo de uma aspiração verdadeiramente nobre”. Ban observou o aumento ao apoio para o desarmamento de ambos os governos e também pela sociedade civil, o que pode ajudar a dinamizar as negociações, mudando o quadro da última reunião sobre o assunto, que aconteceu cinco anos atrás.

Naquela época, o brasileiro Sérgio Duarte, Presidente da Conferência de Revisão de 2005 e o atual Alto Representante das Nações Unidas para os Assuntos de Desarmamento, disse que a reunião realizou “muito pouco”, acabando sem qualquer acordo substantivo. Ban Ki-moon enfatizou que, na reunião deste ano, os Estados-Membros não podem se dar ao luxo de perder uma oportunidade para o progresso “em matéria de desarmamento, em conformidade com a não-proliferação, incluindo a criação de uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio e a utilização pacífica da energia nuclear”.

Além da NPT 2010, que acontece entre 3 e 28 de maio, este ano a ONU ainda vai promover um encontro para rever a aplicação da Convenção Internacional para a Supressão de Atos de Terrorismo Nuclear, uma reunião de nível ministerial para tentar que o Tratado Abrangente de Proibição de Testes Nucleares (CTBT, em inglês) entre em vigor. Ainda em 2010, em outubro, a Assembleia Geral deverá considerar mais de 50 resoluções sobre diversas questões nucleares.

Estes eventos da ONU estão baseados nos cinco pontos de ação apresentados pelo Secretário-Geral da ONU com o objetivo de revigorar o esforço internacional para o desarmamento, que começaram no debate especial sobre o desarmamento nuclear e a segurança na Assembleia Geral e na Cúpula no Conselho de Segurança, em setembro de 2009. O objetivo, segundo Ban Ki-moon, é “tomar hoje pequenos passos que delinearão o cenário para um maior avanço amanhã”.

O artigo original, em inglês, pode ser lido clicando aqui.

Informações sobre a Conferência das Partes para a Revisão do Tratado de não-proliferação de Armas Nucleares (NPT) 2010 podem ser encontradas, em inglês, clicando aqui.


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