Em 70 países meninas sofreram agressões por querer estudar, alerta ONU

“Ataques contra meninas que têm acesso à educação persistem e, de forma alarmante, aparentam em alguns países estar ocorrendo com mais regularidade”, destacou o novo relatório do escritório de direitos humanos da ONU.

A estudante e ativista paquistanesa Malala Yousafzai, ela própria vítima de fundamentalistas religiosos, adere à campanha global #BringBackOurGirls (Traga de volta nossas meninas), pedindo o fim do sequestro de 200 meninas nigerianas pelo grupo Boko Haram. Foto: Reprodução / Facebook.com/MalalaFund

A estudante e ativista paquistanesa Malala Yousafzai, ela própria vítima de fundamentalistas religiosos, adere à campanha global #BringBackOurGirls (Traga de volta nossas meninas), pedindo o fim do sequestro de 200 meninas nigerianas pelo grupo Boko Haram. Foto: Reprodução / Facebook.com/MalalaFund

“Ataques contra meninas que têm acesso à educação persistem e, de forma alarmante, aparentam em alguns países estar ocorrendo com mais regularidade”, destacou um novo relatório de direitos humanos da ONU que analisa essa questão. O documento, divulgado nesta segunda-feira (9), mostra que em 70 países meninas, pais e professores defensores da igualdade de gênero na educação sofreram algum tipo de agressão entre 2009 e 2014.

Os ataques à educação das meninas acontecem de diferentes formas e, em muitas instâncias, não são motivados pelo desejo de negá-las o direito à educação, mas sim refletem a violência experimentada pelas meninas e mulheres em todas as esferas públicas e privadas de suas vidas, observa o relatório.

Essa agressões provocam um efeito cascata, impactando as vidas das meninas e comunidades em que elas vivem, e enviando um sinal aos seus pais e guardiões das escolas de que estas não são um lugar seguro para as meninas.

Ao serem retiradas das salas de aula por causa desses receios ou preocupações com a sua “matrimonialidade”, outras violações de direitos humanos podem ocorrer, como o casamento infantil ou forçado, violência doméstica, gravidez precoce, exposição a práticas daninhas, tráfico de pessoas e exploração sexual e trabalhista.

As conclusões e recomendações do documento incluem medidas para responder aos contextos sociais, culturais, políticos, econômicos e de segurança nos quais as violações ocorrem, enfatizando a necessidade de melhorar a disponibilidade, acessibilidade, adaptabilidade e aceitação das meninas no sistema de educação, enquanto, simultaneamente, lançam programas para responder às atitudes e práticas discriminatórias culturais e sociais.

Observando que as transformações das estruturas desiguais de poder baseadas em gênero e idade são um processo longo e difícil, o relatório também pede o envolvimento de meninos e homens neste processo de mudança.