Egito condena mais de 680 pessoas à pena de morte; chefe das Nações Unidas protesta

O secretário-geral da ONU questionou a integridade do veredito e alertou para risco de instabilidade no Egito e região. Ao todo, mais de mil pessoas foram sentenciadas à morte desde março.

Apoiadores do presidente deposto Mohamed Morsi fazem protesto no Cairo, em agosto de 2013. Foto: IRIN/Saeed Shahat

Nesta segunda-feira (28), o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, mostrou-se preocupado com as sentenças de morte para mais de 680 pessoas emitidas pelo governo do Egito. Ele deve falar pessoalmente com o ministro de Relações Exteriores egípcio, Nabil Fahmy, sobre este assunto na próxima semana, quando estará em viagem ao país.

“Vereditos que claramente falham em cumprir com os procedimentos básicos para um julgamento justo, e especialmente aqueles que impõem a pena de morte, muito provavelmente ameaçam as perspectivas de estabilidade em longo prazo”, declarou.

Esta é a segunda decisão judicial desse tipo. A primeira, em 24 de março, condenou a morte 529 indivíduos por, entre outras acusações, participação em uma organização ilegal (a Irmandade Muçulmana), incitação à violência, vandalismo e o assassinato de um oficial de polícia – todas denúncias ligadas às agitações sociais de agosto de 2013, que culminaram na queda do governo de Mohamed Morsi.

Ban Ki-moon ressaltou também as implicações regionais de tais sentenças, notando que a estabilidade do Egito é fundamental para a de todo o norte da África e o Oriente Médio.