Educação: falta de financiamento pode excluir 32 milhões de crianças na África

A UNESCO, agência das Nações Unidas encarregada de promover a educação universal, alerta que a falta de financiamento adequado está minando os esforços dos países africanos para que 32 milhões de crianças voltem às salas de aula.

Campanha "Join 1 Goal". Foto: ONU.A agência das Nações Unidas encarregada de promover a educação universal advertiu que a falta de financiamento adequado está minando os esforços dos países africanos para que 32 milhões de crianças, atualmente fora da escola, voltem às salas de aula.

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) lançou o alerta, pouco antes de uma cúpula sobre educação que reuniu líderes de toda a África, antes da final da Copa do Mundo, em Pretoria, África do Sul. A cúpula se enquadra no contexto de preocupação com a ajuda internacional para a educação.

A cúpula de educação, convocada pelo Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, marca um ponto culminante nos esforços liderados pela campanha 1Goal e pelo corpo de diretores da FIFA para colocar a crise educacional na África numa posição elevada na agenda global. A crise trava o crescimento econômico, a redução da pobreza e progressos em áreas como saúde pública, segundo a UNESCO.

“A educação é o mais poderoso antídoto para a pobreza na África”, disse a Diretora-Geral da UNESCO, Irina Bokova. “Os líderes devem aproveitar esta ocasião para fornecer seu apoio total, proporcionando às crianças da África uma educação de qualidade”.

De acordo com uma análise feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre os dados de ajuda do Relatório de Monitoramento de Educação para Todos da UNESCO, os níveis de auxílio à educação básica na África Subsaariana caíram de 1,72 bilhão de dólares em 2007 para 1,65 bilhão em 2008. Tendo em conta o aumento da matrícula nas escolas primárias, o auxílio por aluno caiu 7%.

A UNESCO adverte que os níveis de ajuda atuais são incompatíveis com a promessa feita pelos doadores há uma década no Fórum Mundial de Educação em Dacar, no Senegal. A promessa incluía a garantia de que nenhum governo que tenha se comprometido a assegurar educação para todos até 2015 pudesse falhar por falta de financiamento.

O Relatório de Monitoramento da UNESCO coloca o custo do cumprimento do compromisso em torno de 11 bilhões de dólares anualmente para países de baixa renda da África Subsaariana, bem acima dos 2 bilhões gastos em 2008. “Os doadores têm de chegar a novos financiamentos”, diz o diretor do Relatório de Monitoramento, Kevin Watkins. “Eles precisam agir rápido. Estamos agora a apenas uma geração na escola primária de distância de uma promessa não cumprida às crianças da África”.

Apesar do tamanho do déficit de financiamento na educação, muitos países têm conseguido grandes avanços na educação desde 2000, segundo a UNESCO. Apesar dos progressos, a África Subsaariana enfrenta alguns grandes desafios. Com base nas tendências atuais, ainda haverá 23 milhões de crianças fora da escola em 2015. Pouco mais de um em cada três adultos não sabem ler nem escrever. A África tem algumas das mais profundas desigualdades do mundo com base em fatores como sexo, idioma e local.

“A Copa do Mundo é um retrato da energia da África, de seu espírito e esperança”, disse Bokova. “Vamos garantir, também, que se construa um legado real e duradouro para suas crianças”.