Educação deve estimular pensamento crítico para garantir direitos humanos, diz escritório da ONU

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‘Direitos são para os melhores e os piores de nós. Para cada um de nós. Não excluir ninguém é do interesse de todos nós’, afirmou a vice-chefe de direitos humanos da ONU, Kate Gilmore, em encontro que marcou cinco anos da adoção da Declaração sobre Educação e Treinamento para os Direitos Humanos pela Assembleia Geral.

Frase de Nelson Mandela em cartaz de manifestação no Brasil. Foto: Agência Brasil / Tânia Rego

Frase de Nelson Mandela em cartaz de manifestação no Brasil. Foto: Agência Brasil / Tânia Rego

Em encontro na quarta-feira (14) que marcou os cincos anos da adoção da Declaração sobre Educação e Treinamento para os Direitos Humanos pela Assembleia Geral, a vice-alta-comissária de direitos humanos da ONU, Kate Gilmore, defendeu uma formação para jovens e crianças que seja participativa e estimule o pensamento crítico.

Para a dirigente, “o processo educacional tem que ser relevante para as vidas cotidianas e para as experiências dos alunos”, e o objetivo deve ser traduzir as normas de direitos humanos em realidade.

Você não tem que gostar de mim
para respeitar meus direitos.
Eu não tenho que concordar com você
para assegurar seus direitos.

Segundo Gilmore, em meio à atual escalada de ódio e intolerância, políticas públicas devem apostar em soluções duradouras, inspiradas pelo entendimento de que todos são igualmente merecedores de respeito, dignidade e justiça.

A educação é fundamental para transmitir esses valores, promover a coesão e a inclusão sociais e, última análise, prevenir a violência e conflitos. De acordo com a vice-alta-comissária, o ensino dos direitos humanos cultiva a humanidade comum às pessoas, para além de suas diferenças individuais.

“Você não tem que gostar de mim para respeitar meus direitos. Eu não tenho que concordar com você para assegurar seus direitos. Você não tem que ser igual a mim para que eu proteja os seus direitos”, ressaltou Gilmore.

“Direitos são para os melhores e os piores de nós. Para cada um de nós. Não excluir ninguém é do interesse de todos nós”, acrescentou.

Ainda segundo a dirigente, “a educação para os direitos humanos apoia o pensamento crítico e analítico, sem os quais a passividade pode se instalar (nas pessoas), e convida à tomada de conhecimento sobre soluções inclusivas, enraizadas na tolerância, garantidas na lei e viáveis para todos”.

Direitos são para os melhores
e os piores de nós.
Para cada um de nós.
Não excluir ninguém é do interesse de todos nós.

Apesar dos compromissos assumidos pela comunidade internacional, como a assinatura da Declaração em 2011 e a inclusão da educação para os direitos humanos na Agenda 2030 da ONU, esses mecanismos terão pouco valor caso não consigam inspirar ações concretas a nível local e nacional.

Gilmore cobrou que Estados-membros insiram o ensino em estratégias mais amplas de defesa dos direitos em toda a sociedade, incluindo reformas institucionais. “A educação para os direitos humanos é essencial, mas insuficiente”, disse.

A representante do Escritório da ONU para os Direitos Humanos pediu ainda que o papel de organismos e mecanismos internacionais seja fortalecido, inclusive para monitorar e difundir boas práticas de educação.

 


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