Economia mundial volta a crescer, mas corre riscos para manter estabilidade, afirma ONU

Apesar da projeção de crescimento moderado para o Brasil, o relatório indica que país enfrenta vulnerabilidades vinculadas aos déficits acumulados, desaceleração do preço das commodities e depreciação do Real.

Cidade de S. Paulo. Foto: Pedu0303 (Creative Commons)

Cidade de S. Paulo. Foto: Pedu0303 (Creative Commons)

Apesar do legado da crise financeira e o surgimento de novos desafios, como os conflitos geopolíticos e o surto de ebola, a previsão para os próximos dois anos é de crescimento global da economia, afirmaram, nesta quarta-feira (10), as Nações Unidas. As informações fazem parte da primeira versão do relatório sobre a Situação Econômica Mundial e Perspectivas para 2015 da ONU, cuja versão final será publicada em janeiro de 2015.

O documento estima que no próximo ano a economia crescerá 3,1% e, em 2016, 3,3%,  cifra superior aos 2,6% alcançados em 2014, ano marcado por um avanço moderado e desigual. A projeção também é de crescimento econômico na América Latina e no Caribe, com um moderado avanço de 1,3% em 2014 para 2,4% em 2015 e 3,1% em 2016.

As perspectivas para o Brasil, no entanto, não são tão positivas, apesar de um possível crescimento moderado, já que o documento indica riscos vinculados aos déficits acumulados, desaceleração do preço das commodities e depreciação do Real.

Ainda que os indicadores globais mostrem que a economia parece ter entrado nos trilhos, o mundo atravessa um momento de grandes riscos e incerteza que poderiam minar os esforços de avanços econômicos, afirmou o diretor da Divisão de Desenvolvimento e Análise Política do Departamento da ONU de Assuntos Econômicos e Sociais (DESA), Pingfan Hong, responsável pela publicação.

Entre eles, está o fato do desemprego registrar índices históricos em algumas regiões, somado à inflação, a volatilidade do petróleo, as crises geopolíticas e que potências econômicas – como a União Europeia, o Japão e a China – não conseguirem alcançar patamares de crescimento similares aos anteriores à crise, diminuírem o seu consumo interno e apresentarem uma forte desaceleração.

Para reduzir os riscos e responder a estes desafios, o relatório afirma ser imperativo o fortalecimento da coordenação da política internacional. Em particular, as políticas macroeconômicas mundiais devem ser alinhadas para apoiar um crescimento robusto e balanceado, estimulando a criação de empregos e mantendo uma estabilidade econômica e financeira de longo prazo.