Economia deve crescer 4,7% na América Latina e Caribe

Relatório lançado hoje aponta queda na taxa de desemprego e aumento no consumo interno com elevação do PIB per capita. Crescimento representará desafios macroeconômicos.

América Latina e Caribe devem crescer 4,7% este ano por causa de impulso da demanda interna, prevê a Comissão Econômica para a América e o Caribe (CEPAL). Já no ano que vem, com um contexto internacional menos favorável, o crescimento da região deve ser de 4,1%.

De acordo com o Estudo Econômico da América Latina e do Caribe 2010-2011, a expansão deve estimular o mercado de trabalho. Estima-se que a taxa de desemprego cairá de 7,3% em 2010 para algo entre 7% e 6,7% este ano.

O crescimento implicará em elevação de 3,6% do PIB por habitante e representará desafios macroeconômicos. “Até que ponto estão a América Latina e o Caribe preparados para administrar o crescimento econômico? Devemos recuperar o espaço fiscal para ter a capacidade de adotar medidas que assegurem um crescimento sustentado, com emprego produtivo e igualdade”, afirmou Secretária Executiva da CEPAL, Alicia Bárcena.

A região está crescendo principalmente por causa do consumo privado, provocado pela melhora dos indicadores do trabalho e o aumento do crédito. O esgotamento da capacidade produtiva ociosa, sustentado pela demanda interna, está dando lugar a um aumento do investimento, beneficiado por uma maior disponibilidade de crédito e que recupera os níveis alcançados antes da crise econômica internacional.

As maiores taxas de expansão são observadas na América do Sul, área que crescerá 5,1% em 2011. Nesta região, o país com o maior crescimento deve ser a Argentina, com 8,3%. O Brasil deve crescer 4%.

A CEPAL adverte que o aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis tem pressionado a inflação e endurecido a política monetária de diversos países. Entre outras medidas, as autoridades devem intervir no câmbio e controlar a entrada de capitais. Para aumentar seu potencial, as ações deveriam ser acompanhadas de uma política fiscal para aumento da poupança do setor público.

Ainda segundo o relatório, o crescimento regional pode ser limitado pelas incertezas da economia internacional, em especial dos Estados Unidos, Europa e Japão. Aconselha-se, portanto, o aproveitamento da atual conjuntura para recuperar o espaço retraído com a crise.