Economia da África Subsaariana desacelera e deve crescer pouco mais de 3% em 2016, diz Banco Mundial

Queda dos preços das matérias-primas, enfraquecimento do mercado global, questões internas como instabilidade política, fenômenos climáticos e falta de energia estão entre as causas. Crescimento econômico apresentou queda em 2015, atingindo níveis bem abaixo da média de 6,8% observada entre 2003 e 2008.

Instabilidade política, ameaças de segurança, estiagem e falta de eletricidade foram citados como desafios domésticos de alguns países da África Subsaariana. Na foto, uma menina espera para receber água na República Democrática do Congo. Foto: UNICEF / Olivier Asselin

Instabilidade política, ameaças de segurança, estiagem e falta de eletricidade foram citadas como desafios domésticos de alguns países da África Subsaariana. Na foto, uma menina espera para receber água na República Democrática do Congo. Foto: UNICEF / Olivier Asselin

O crescimento econômico da África Subsaariana está desacelerando e deve alcançar a taxa de 3,3% em 2016 – número bem abaixo do aumento médio de 6,8% do Produto Interno Bruto (PIB) da região registrado no período de 2003 a 2008.

No ano passado, o crescimento já havia exibido sinais de arrefecimento, ficando em torno dos 3%, valor semelhante aos mínimos registrados em 2009.

Os cálculos são da avaliação semestral da economia da região publicada nesta semana (11) pelo Banco Mundial. Entre as causas apontadas pelo organismo para a desaceleração estão a queda dos preços das matérias-primas – em particular, do petróleo que caiu 67% de junho de 2014 a dezembro de 2015 – e o fraco desempenho da economia global, em especial, dos países emergentes.

Segundo o Banco Mundial, além desses obstáculos, muitas nações africanas enfrentam dificuldades internas como a falta de energia elétrica, a instabilidade política, estiagens e ameaças à segurança.

Para 2016, o organismo prevê que desafios internos e externos continuarão pressionando as economias subsaarianas, principalmente por conta do agravamento das secas e também devido à queda nas receitas provenientes de exportações de matérias-primas – fenômeno que reduziu os termos de troca da África em 16% em 2016.

Neste ano, em toda a região, o impacto deste choque deverá reduzir a atividade econômica em 0,5% em relação a valores de referência. O Banco Mundial calcula que o crescimento da África Subsaariana deve voltar ao ritmo de 4,5% durante o biênio 2017-2018, devido à estabilização das commodities e à melhoria gradual das maiores economias regionais, que são Angola, Nigéria e África do Sul.

Apesar da tendência de desaceleração observada desde 2015 e prevista para 2016, alguns países importadores de petróleo – Quênia, Ruanda e Tanzânia – mantiveram um crescimento robusto no ano passado. A Costa do Marfim também registrou índices de expansão consideráveis.

No Quênia, o crescimento deverá permanecer sólido, sustentado pelo consumo privado e o investimento em infraestruturas públicas. Em Gana, a exploração de novos campos petrolíferos e a mitigação da crise elétrica devem estimular um crescimento modesto.

Com políticas adequadas, cidades africanas podem ser motores de crescimento

A avaliação do Banco Mundial indica que as cidades da África Subsaariana podem contribuir para diversificar as atividades econômicas dos países da região, ainda dependentes do comércio de matérias-primas. Atualmente, porém, os centros urbanos africanos estão longe de serem ambientes capazes de atraírem cidadãos e investidores.

Habitação e transporte são particularmente caros nas áreas urbanas da África. Os custos com moradia são cerca de 55% mais altos nas áreas urbanas dos países africanos. O transporte urbano – em cálculo que inclui os preços de veículos e dos serviços de deslocamento – é aproximadamente 42% mais caro nas cidades africanas do que nas cidades de outros países.

Uma análise transnacional revelou que as empresas nas cidades africanas pagam salários mais altos, em termos nominais, do que as empresas urbanas em outros países com níveis de desenvolvimento comparáveis. Para o Banco Mundial, o continente e sua porção subsaariana contam com uma janela de oportunidade para aproveitar o rápido crescimento urbano em seus territórios, transformando-o em um novo motor de crescimento econômico.

“Para garantir o crescimento e o desenvolvimento social, as cidades têm de se tornar menos caras para as empresas e mais atraentes para os investidores”, afirma o economista-chefe interino do Banco Mundial para a África e o autor do relatório, Punam Chuhan-Pole.

“Também têm de ser mais aprazíveis para os residentes, oferecendo serviços e amenidades. Tudo isto irá exigir a reforma dos mercados de terras urbanas, a regulamentação urbana e a coordenação do investimento em infraestruturas”, destacou.