Economia criativa global mostra resiliência e crescimento; Brasil tem saldo comercial no setor

Foto: Flickr/S Pakhrin (CC)

Com taxas de crescimento em exportações de mais de 7% ao longo de 13 anos, o comércio global de bens criativos é um setor resiliente e em expansão impulsionado pela China, de acordo com novo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

A segunda edição do periódico “Creative Economy Outlook: Trends in International Trade em Creative Industries” examina o cenário global e apresenta 130 perfis de países com dados comerciais de bens e serviços criativos.

Os dados, que cobrem o período de 2002 a 2015, mostram a contribuição da economia criativa ao comércio mundial. Durante este período, o valor do mercado global para bens criativos duplicou, indo de 208 bilhões de dólares, em 2002, para 509 bilhões de dólares, em 2015.

O relatório também identifica o crescimento notório da China, cujas exportações de bens criativos cresceram o dobro da média global entre 2002 e 2015.

Estes números são significativos em duas frentes, disse Pamela Coke-Hamilton, que dirige a divisão comercial da UNCTAD.

“A economia criativa tem valor tanto cultural quanto comercial”, disse Coke-Hamilton. “Este valor duplo levou governos em todo o mundo a focar na expansão e no desenvolvimento de suas economias criativas como parte de estratégias de diversificação econômica e de esforços para estimular prosperidade e bem estar”.

“Dentro da economia criativa, as indústrias criativas geram renda através de comércio e direitos de propriedade intelectual, e criam novas oportunidades, especialmente para pequenas e médias empresas”, afirmou Coke-Hamilton.

Design e artes visuais estão entre os setores de maior desempenho, com moda, design de interiores e joias representando 54% de exportações de bens criativos em economias desenvolvidas e 70% (incluindo brinquedos) em economias em desenvolvimento.

As indústrias criativas – que incluem arquitetura, artes e artesanatos, propaganda e marketing, mídia e publicações, pesquisa e desenvolvimento, software, jogos de computador e outros trabalhos criativos essenciais – são a alma da economia criativa.

“Embora a queda em comércio global tenha impactado todas as indústrias, o relatório mostra que a economia criativa é mais resiliente que a maioria”, disse Marisa Henderson, chefe do programa de economia criativa da UNCTAD.

“O desempenho da economia criativa é encorajador e mostra que ela está prosperando através da interseção entre cultura, tecnologia, empresas e inovação”.

Ásia artística

A China é a maior importadora e exportadora individual de bens e serviços criativos. O país é a principal força por trás do boom da economia criativa durante a última década e meia e é dona de grande parte dela. O comércio chinês em bens criativos entre 2002 e 2015 foi exponencial, com taxas de crescimento médio anual de 14%.

Em 2002, o comércio da China em bens criativos foi de 32 bilhões de dólares. Em 2014, este número aumentou mais de cinco vezes, chegando a 191,4 bilhões de dólares.

Houve uma queda em 2015, quando a China registrou comércio de 168,5 bilhões de dólares em bens criativos, mas, comparativamente, o país manteve a maior porcentagem do comércio de bens criativos. Em 2016, as exportações chinesas foram quatro vezes maiores do que as dos Estados Unidos.

Os dados do relatório também indicam que a Ásia superou todas as outras regiões, com a China e o Sudeste Asiático somando juntos 228 bilhões de dólares em exportações criativas, quase o dobro da Europa.

China, Hong Kong (China), Índia, Cingapura, a província chinesa de Taiwan, Turquia, Tailândia, Malásia, México e Filipinas foram as 10 maiores economias em desenvolvimento que estimularam comércio global em bens criativos.

“Geralmente, comércio Sul-Sul está em crescimento e parece pronto para ser uma área de vibrantes crescimentos futuros, especialmente para economia criativa”, disse Henderson.

Entre economias desenvolvidas, os Estados Unidos, França, Itália, Reino Unido, Alemanha, Suíça, Holanda, Polônia, Bélgica e Japão representam os 10 maiores exportadores de bens criativos.

Serviços criativos

O relatório também destaca a mudança de produção de bens criativos para entrega de serviços criativos como uma tendência emergente. Isto é alinhado à mudança global em direção a serviços, à medida que produções industriais e agrícolas caem.

Henderson explicou como jornais e produtos publicados, que originalmente representavam bens criativos, mudaram para se tornar um serviço criativo, com expansão da mídia online impulsionada por inscrições digitais e propagandas online.

“Serviços criativos irão crescer”, disse. “Embora os dados sobre comércio em serviços criativos sejam limitados, mais países estão relatando sobre comércio de serviços criativos, conforme se torna uma caraterística que define economias locais e regionais”.

Dados disponíveis de exportações de serviços criativos de 38 países desenvolvidos (com um conjunto de dados comparável) permaneceram relativamente estáveis entre 2011 e 2015, com crescimento médio anual de 4%.

De todo comércio em serviços para os 38 países, serviços criativos representaram uma porção média de 18%, crescendo de 17,3% em 2011 para 18,9% em 2015.

Brasil

De acordo com o relatório, exportações de bens criativos do Brasil somaram 923,4 milhões de dólares em 2014. Bens de design, como moda, acessórios, design de interiores e joias foram as principais exportações.

O Brasil tem a indústria da moda como parte mais valiosa de sua crescente economia criativa. No entanto, o relatório destaca que o valor de exportações de bens de design caiu de 880 milhões de dólares, em 2005, para 614 milhões de dólares, em 2014.

Novas mídias, como filmes, representaram 102 milhões de dólares, seguidas por artes visuais (92 milhões de dólares) e artes e artesanato (73 milhões de dólares). Importações foram três vezes maiores que exportações, com valor de 2,9 bilhões de dólares em 2014.

Os principais mercados de destino para as exportações de bens criativos do Brasil foram as Américas (63%), Europa (24%), África (9%) e Ásia (4%). Embora a proporção de exportações para as Américas tenha continuado crescendo, a para a Europa caiu de 34%, em 2005, para 24%, em 2014. Os principais parceiros exportadores para bens criativos foram os Estados Unidos, Reino Unido, Peru, Angola e Chile.

De acordo com dados do relatório, o Brasil teve balança comercial positivo com seus principais parceiros comerciais.

O relatório também destacou que, em 2014, o setor empregou mais de 11 milhões de pessoas (com cerca de 2 milhões de novos empregos).

No total, exportações de serviços criativos do Brasil chegaram a 1,8 bilhão de dólares em 2014, lideradas por Pesquisa e Desenvolvimento (525,1 milhões), serviços de computador (946,9 milhões), audiovisual e serviços relacionados (265,4 milhões) e serviços de informação (71,3 milhões).

Clique aqui para acessar o relatório completo (em inglês).