Ebola: Para evitar interrupção em tratamento, ONU paga incentivo de risco a trabalhadores via celular

A adoção do pagamento eletrônico ajudará a lidar com frustrações e evitar protestos, já que uma greve dos trabalhadores implicaria na suspensão do serviço de atenção e prevenção do ebola.

Os trabalhadores, que cuidam dos casos de ebola, devem passar por um processo de desinfecção cada vez que lidam com um caso suspeito. Foto: ONU/Martine Perret

Os trabalhadores, que cuidam dos casos de ebola, devem passar por um processo de desinfecção cada vez que lidam com um caso suspeito. Foto: ONU/Martine Perret

Trabalhadores que respondem à emergência do surto do ebola na África Ocidental passarão a receber o pagamento por periculosidade através do telefone celular, em Serra Leoa. A medida visa a melhorar a eficiência, encurtar prazos e assegurar os pagamentos àqueles que estão na primeira linha de resposta. A medida foi tomada após os funcionários em um hospital local ameaçaram entrar em greve, afirmando que não estavam recebendo o benefício do governo.

Para o diretor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Serra Leoa, Sudipto Mukerjee, a adoção do pagamento eletrônico ajudará a lidar com frustrações e evitar protestos, já que uma greve dos trabalhadores implicaria na interrupção do serviço de atenção e prevenção do alastramento do ebola.

Aproximadamente 13 mil das 16 mil pessoas que trabalham na luta contra o ebola devem receber esse incentivo via celular a partir deste mês.

“Não podemos perder sequer um minuto ao deixar que as pessoas abandonem seus instrumentos e se recusem a trabalhar. Por isso o pagamentos confiáveis e agendados através dos celulares são tão significativos,” disse Mukerjee.

Ele explicou que uma das maiores dificuldades para atender a crise se encontra na área de recursos humanos. “Podemos construir centros de treinamento em um par de meses. Podemos construir um centro de cuidados comunitários em algumas semanas. Mas treinar as pessoas para vir e gerenciá-los é nosso maior desafio”, disse, complementando que sem o incentivo de periculosidade a dificuldade para atrair e manter as pessoas aumentaria devido ao alto risco de contrair a doença.