Ebola: Painel da OMS aprova uso experimental de remédios; 1.013 morreram

Através de um consenso unânime, o grupo de 12 membros reunidos pela agência da ONU afirma ser “ético” o uso de novos tratamentos para conter o surto.

Uma mulher espera para entrar na área de isolamento para visitar seu marido, infectado com ebola em Monróvia, Libéria. Foto: UNMIL/Staton Winter

Um painel de 12 membros reunidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a um consenso unânime nesta terça-feira (12) de que é ético tratar os pacientes de ebola com remédios experimentais para conter o maior, mais severo e complexo surto do vírus na história.

“Há um acordo unânime entre todos os especialistas de que, dentro das circunstâncias especiais dessa epidemia de ebola, é ético oferecer intervenções não registradas como potenciais tratamentos ou prevenção”, disse a diretora-geral assistente para Sistemas de Saúde e Inovação da OMS, Marie-Paule Kieny.

Por meio de um comunicado divulgado ao final da reunião de dois dias, a OMS disse que “nas últimas décadas, os esforços de pesquisa têm sido investidos no desenvolvimento de medicamentos e vacinas para a doença do vírus ebola. Alguns deles têm mostrado resultados promissores em laboratório, mas ainda não foram avaliados quanto à segurança e eficácia em seres humanos”.

Kieny disse que vários destes tratamentos têm provado ser muito eficazes em primatas não humanos, mas nenhum foi testado em humanos e adicionou que atualmente não existem tratamentos licenciados ou vacinas para o ebola.

A OMS ressaltou que o critério ético deve estar presente em todas as intervenções futuras, incluindo “transparência sobre todos os aspectos do cuidado, consentimento informado, liberdade de escolha, confidencialidade, respeito pelo paciente e preservação da dignidade e envolvimento da comunidade”.

Na sede da ONU em Nova York, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, designou David Nabarro como coordenador da Organização para a doença do vírus ebola e pediu à comunidade internacional que responda urgentemente à falta de médicos, enfermeiras e equipamentos. O chefe da ONU solicitou também que as pessoas evitem o pânico e o medo relacionado à doença, lembrando que “o ebola já foi controlado com sucesso em outras partes e podemos controlá-lo aqui também”.

Segundo a OMS, o medo tem levado a parentes dos pacientes infectados a fugir do sistema de observação; famílias a esconder os seus entes queridos ou levá-los para serem cuidados por curandeiros; e pacientes a fugir de centros de tratamento.

Em seu último boletim, a agência da ONU disse que o atual surto de Ebola registrou, entre 7 e 9 de agosto, um total de 69 novos casos e 52 mortes, elevando o número total de casos para 1.848, com 1.013 mortes. O surto atinge quatro países na na África Ocidental: Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa.