Ebola: ‘Nunca mais o mundo deve ser pego de surpresa’, diz chefe da OMS

Em retrospectiva sobre atuação internacional, OMS faz autocrítica e enfatiza que entre as lições aprendidas estão a necessidade de um “fundo de contingência” e a otimização dos processos de recrutamento para a resposta de emergência médica.

Equipe de cuidado de pacientes de ebola em um centro de tratamento administrado pelos Médicos Sem Fronteira em Monróvia, Libéria. Foto: UNMEER/Simon Ruf

Equipe de cuidado de pacientes de ebola em um centro de tratamento administrado pelos Médicos Sem Fronteira em Monróvia, Libéria.
Foto: UNMEER/Simon Ruf

“Nunca mais o mundo deve ser pego por surpresa”, disse a chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS) neste domingo (25). Fazendo uma retrospectiva sobre as ações de combate ao ebola adotadas até o momento, Margaret Chan observou que o contágio da doença começa a retroceder nos países afetados, mas é necessário evitar recaídas e preparar se melhor para responder ao surgimento de novas epidemias.

Durante a Sessão Especial das agências da ONU para a Direção Executiva sobre o Ebola, a diretora-geral da OMS sublinhou a importância de criar recomendações para a resposta em larga escala de futuros surtos e emergências. Ela citou também a necessidade de reconstruir e fortalecer a preparação e resposta de emergência nacional e internacional, lidar com a maneira como novos produtos médicos são introduzidos no mercado e o fortalecimento na maneira como a OMS opera durante as emergências.

Chan disse que o surto de ebola revelou “algumas inadequações e pontos fracos” na administração, gestão e infraestrutura técnica da OMS, incluindo a necessidade de um “fundo de contingência dedicado” para o apoio às respostas rápidas e racionalizar os processos de recrutamento para aumentar a base de pessoal da agência.

A aplicação de um enfoque em comum durante as operações em casos de emergência também foi ressaltada, bem como a necessidade de melhorar a capacidade de gestão de crise e experiência no campo durante emergências dos escritórios da OMS nos países.

Bons sistemas médicos não são um luxo

Apesar de celebrar os esforços para controlar o contágio na Guiné, Libéria e Serra Leoa, Chan advertiu que a obtenção de zero casos de infecção nos três países afetados não “será fácil”. A ONU lançou um apelo por 1 bilhão de dólares para os primeiros seis meses de 2015 para continuar os avanços contra a doença. Até a data quase 22 mil pessoas foram afetadas e 8,6 mil faleceram.

Como uma das lições aprendidas em 2014, Chan enfatizou a importância do estabelecimento de sistemas de saúde apropriados, que não representam um “luxo” e sim o “amortecedor que evita que os choques repentinos reverberem através do tecido que mantém unida a sociedade, evitando que estas se destruam”.