Em encontro em Havana, ONU alerta que surto do ebola não é mais ‘emergência localizada’

Representantes da ONU destacaram a cooperação de Cuba pelo envio de 165 médicos, e da Venezuela pela doação de 5 milhões de dólares para fundo especial que financia as operações para conter o alastramento da doença.

Uma enfermeira mostra a foto de pessoas que venceram o vírus do ebola em Serra Leoa. Foto: UNICEF/Dunlop

Uma enfermeira mostra a foto de pessoas que venceram o vírus do ebola em Serra Leoa. Foto: UNICEF/Dunlop

Durante a Cúpula de Chefes de Estados da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA) sobre o ebola, realizada em Havana, representantes das Nações Unidas ressaltaram nesta segunda-feira (20) que o surto já não é mais uma questão de saúde localizada apenas na África Ocidental.

Com a propagação do vírus para outros países – e a chegada do ebola nas Américas através dos primeiros casos nos Estados Unidos – é preciso discutir maneiras de ajudar a estancar essa emergência e paralisar a propagação do vírus entre fronteiras.

Parabenizando os esforços regionais para ajudar os países afetados, o enviado especial do secretário-geral da ONU para o ebola, David Nabarro, destacou a cooperação e a solidariedade de Cuba pelo envio de 165 médicos, e da Venezuela pela doação de 5 milhões de dólares para o fundo especial que financia a compra de material e as operações das agências da ONU para conter o alastramento da doença.

Nabarro pediu às nações na região para seguirem o “exemplo louvável desses dois países, que estabeleceram um resposta rápida para apoiar os esforços para conter o ebola”, lembrando que a tradição de Cuba de treinar pessoal médico de países em desenvolvimento já ajudou a melhorar a atenção médica em todo o mundo, inclusive em 39 nações africanas.

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, destacou que no último mês o vírus do ebola chegou à região, mas precisamente aos Estados Unidos, e reforçou que qualquer país com um aeroporto internacional corre o risco de importar a doença.

Apesar dos altos índices de fatalidade do vírus, um país bem preparado pode derrotá-lo, afirmou Chan, incentivando as nações da ALBA a treinar sua equipe, organizar simulações, estabelecer protocolos e informar o público e a mídia para que possam se mobilizar e combater o medo com fatos reais.

Nigéria e Senegal, livres do ebola

A OMS declarou nesta segunda-feira (20) que a Nigéria já não conta com nenhum registro de ebola, depois de passar mais de 42 dias sem um novo contágio.

Para a agência da ONU, esse caso de sucesso pode servir de exemplo para outros países, preocupados com o contágio entre seus cidadãos, na melhoria dos seus planos de resposta. Anteriormente, a Organização também tinha parabenizado o Senegal por ter conseguir deter o ebola.

Nabarro solicitou aos países que prometeram contribuições financeiras para o combate do ebola que honrem sua palavra. Até o momento, dos 43 milhões de dólares prometidos, o Fundo Fiduciário estabelecido para este fim conta apenas com 8,8 milhões depositados e 5 milhões alocados.