Ebola: Crianças na Libéria sem registro de nascimento estão expostas à exploração, diz UNICEF

Mais de 70 mil crianças no país não tiveram seus nascimentos registrados durante o surto de ebola, podem não ter acesso a serviços básicos e correm perigo de serem traficadas ou ilegalmente adotadas.

Mais de 70 mil nascimentos não foram registrados durante o surto de ebola na Libéria, colocando essas crianças em risco. Foto: UNICEF Libéria / S.Grile

Mais de 70 mil nascimentos não foram registrados durante o surto de ebola na Libéria, colocando essas crianças em risco. Foto: UNICEF Libéria / S.Grile

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertou sexta-feira (31) que mais de 70 mil crianças da Libéria não foram registradas durante o surto de ebola, impossibilitando o acesso a serviços básicos sociais e de saúde, e a documentos de identidade, além de correrem perigo de serem traficadas ou ilegalmente adotadas.

“Nenhuma criança deve sofrer a indignidade, ou não ter a proteção de um Estado ou de outras entidades, e ser incapaz de acessar serviços básicos que são direitos de toda criança por causa da falta de uma identidade registrada”, disse Sheldon Yett, representante do UNICEF na Libéria, em um comunicado de imprensa. “Nós não podemos, e nunca devemos deixar que isso aconteça.”

Segundo o UNICEF, os registos de nascimento em 2014 e 2015 caíram de forma acentuada em relação aos níveis pré-ebola. Em 2013, antes do aparecimento do vírus, foram registrados os nascimentos de 79 mil crianças. Em 2014, quando muitos centros de saúde tinham fechado ou reduzido serviços devido à resposta ao ebola, o número de registros caiu para 48 mil – uma redução de 39% em comparação ao ano anterior. E apenas 700 crianças tiveram seus nascimentos registrados entre janeiro e maio de 2015.