É preciso investir massivamente em ajuda humanitária e desenvolvimento, diz representante da ONU

Evento organizado no Rio de Janeiro pelo Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB) e realizado na Escola Superior de Guerra (ESG) debateu a questão da proteção de civis e a ajuda humanitária. O diretor do Centro de Informação da ONU para o Brasil (UNIC Rio), Maurizio Giuliano, foi um dos palestrantes.

Em evento que debateu a questão da proteção de civis e a ajuda humanitária, o diretor do Centro de Informação da ONU para o Brasil (UNIC Rio), Maurizio Giuliano, disse que é essencial fazer um esforço coletivo massivo para garantir os meios necessários para a ajuda humanitária e o desenvolvimento.

O evento, organizado no Rio de Janeiro pelo Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB) e realizado na Escola Superior de Guerra (ESG) no último dia 4 de julho, contou com a participação de Giuliano, como palestrante, do general Décio Luís Schons e do coronel Carlos Augusto Ramires, comandantes da ESG e do CCOPAB respectivamente.

O diretor do UNIC Rio fez uma apresentação sobre a doutrina de proteção de civis do Departamento de Operações de Manutenção da Paz da ONU (DPKO), baseada em três componentes principais: proteção por meio do diálogo ou de processos políticos e comunitários; proteção por meio da utilização ou da ameaça de utilização da força; e proteção por meio de um melhor ambiente protetor.

Giuliano destacou que esse último aspecto, que envolve atividades humanitárias e de desenvolvimento, é um fator primordial de médio e longo prazo.

“Por exemplo, imaginando que você esteja no norte do Mali com a missão de proteger os civis, é muito preocupante receber a notícia de que um grupo de 20 homens armados está se dirigindo a uma aldeia habitada por pessoas que apoiam outro grupo armado”, explicou Giuliano, que também foi chefe de proteção de civis na Missão de Estabilização Multidimensional Integrada no Mali (MINUSMA).

“Neste tipo de situação, é importante que o componente militar tome ações apropriadas para proteger os civis de um possível abuso”, disse. Mas, para Giuliano, é ainda mais preocupante saber que, em outra aldeia, as crianças não vão para a escola e os jovens não têm oportunidade de trabalho: “Em algumas parte do pais, os jovens têm em muitos casos três possibilidades: tornar-se membros de um grupo armado de oposição, bandidos ou terroristas. Isso é ainda mais preocupante para a proteção de civis, precisando respostas para o largo prazo”, afirmou.

Giuliano concluiu sua fala destacando que é preciso “fazer investimentos massivos para a ajuda humanitária e o desenvolvimento”.

Durante o almoço na ESG, o general Schons, o coronel Ramires, o diretor do UNIC Rio e outros convidados discutiram o papel central do Brasil em diversas operações de paz, e sobre o papel que o país ainda pode desempenhar em outras missões no futuro.