É preciso acabar com estigmas ligados às pessoas afetadas pela fístula obstétrica, diz chefe do UNFPA

Apesar de casos de fístula obstétrica terem sido amplamente eliminados em países desenvolvidos, mais de 2 milhões de mulheres e meninas ainda vivem com a condição dolorosa e desfigurante, de acordo com dados das Nações Unidas.

Marcando o dia internacional – em 23 de maio – para pôr fim a esta condição, que é quase totalmente evitável, a chefe da agência de saúde sexual e reprodutiva das Nações Unidas, o UNFPA, afirmou que pessoas que sofrem da condição continuam “enfrentando estigmas sociais devastadores”.

Sunge passou por complicações durante o parto. Ela teve acesso a serviços de alta qualidade em uma das instalações recém-renovadas na região de Simiyu, na Tanzânia. Foto: UNFPA Tanzânia/Bright Warren

Sunge passou por complicações durante o parto. Ela teve acesso a serviços de alta qualidade em uma das instalações recém-renovadas na região de Simiyu, na Tanzânia. Foto: UNFPA Tanzânia/Bright Warren

Apesar de casos de fístula obstétrica terem sido amplamente eliminados em países desenvolvidos, mais de 2 milhões de mulheres e meninas ainda vivem com a condição dolorosa e desfigurante, de acordo com dados das Nações Unidas.

Marcando o dia internacional – em 23 de maio – para pôr fim a esta condição, que é quase totalmente evitável, a chefe da agência de saúde sexual e reprodutiva das Nações Unidas, o UNFPA, afirmou que pessoas que sofrem da condição continuam “enfrentando estigmas sociais devastadores”.

“Vergonha, isolamento e segregação estão entre as indignidades enfrentadas pelas centenas de milhares de mulheres e meninas em todo o mundo que sofrem de fístula obstétrica”, disse Natalia Kanem, diretora-executiva do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em comunicado divulgado na quinta-feira (23).

A fístula obstétrica é uma das lesões mais sérias que podem ocorrer durante o parto, deixando um buraco entre o canal do parto e a bexiga ou o reto. A lesão é causada por um trabalho de parto prolongado e obstruído sem tratamento adequado.

Estima-se que cerca de 50 mil a 100 mil novos casos acontecem mundialmente todos os anos, mas a maioria deles entre mulheres que vivem na pobreza, em culturas onde a situação feminina depende quase inteiramente do casamento e de sua capacidade de gerar filhos.

“As meninas e mulheres afligidas pela condição, que é evitável e amplamente tratável, são frequentemente atormentadas por incontinência crônica”, destacou Kanem. Pessoas com a condição frequentemente desenvolvem depressão, isolamento social e se aprofundam na pobreza. Muitas delas vivem com a condição durante anos porque não podem arcar com custos de tratamentos.

O custo médio – incluindo cirurgia, cuidados pós-cirúrgicos e apoio de reabilitação – é de cerca de 300 dólares por paciente. A persistência da fístula “é um sinal de que sistemas de saúde estão fracassando em cumprir as necessidades essenciais das mulheres”, acrescentou Kanem.

Sopro de vida

Todos os anos, cerca de 3 mil tanzanianas desenvolvem fístula obstétrica, de acordo com estimativas da Comprehensive Community-Based Rehabilitation in Tanzania (CCBRT), uma organização não governamental que é uma das maiores fornecedoras do país de serviços de reabilitação.

Entre 2009 e 2011, o UNFPA se juntou à CCBRT para realizar um estudo piloto sobre a fístula obstétrica. Eles concluíram que altos custos de transporte e acomodação faziam com que muitas mulheres afetadas não buscassem tratamento.

Com apoio financeiro do UNFPA, a CCBRT deu início a uma rede de embaixadores, na qual parceiros em comunidades rurais identificam mulheres afetadas e as ajudam a receber tratamento.

Nenhuma mulher ou menina deve ser privada de dignidade, esperança e sonhos

Pedindo mais investimentos e apoio para eliminar a condição, a chefe do UNFPA afirmou que “a incapacidade de receber tratamento médico rápido não só priva as pessoas afetadas de sua saúde e dignidade”, mas também é “uma violação de seus direitos humanos”.

O UNFPA lidera a Campanha para Eliminar a Fístula. Desde 2003, a agência da ONU apoiou mais de 100 mil cirurgias de reparos da fístula e parceiros de campanha apoiaram milhares mais, permitindo que mulheres e meninas em mais de 55 países retomassem seus sonhos e reconstruíssem suas vidas.

“É hora de o mundo atender ao pedido feito pelos Estados-membros das Nações Unidas na Resolução da ONU de 2018 para Eliminar a Fístula, na qual eles se comprometeram a erradicar a condição dentro de uma década. Ainda assim, alcançar este objetivo exige aumento de investimentos, inovações e parcerias”, disse Kanem.

A prevenção e o tratamento da fístula obstétrica contribui para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3, dedicado a garantir vidas saudáveis; neste caso, a melhoria da saúde materna.