É hora de fomentar diálogo entre Estados e indígenas, diz presidente de fórum da ONU

Em comunicado, Álvaro Pop, presidente do Fórum Permanente da ONU para Questões Indígenas, disse que é o momento de impulsionar um diálogo entre Estados e povos indígenas, buscando soluções para os desafios da humanidade. As declarações foram feitas após fala do papa Francisco na ocasião do Dia Internacional dos Povos Indígenas.

É essencial que os Estados implementem a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, segundo presidente de fórum da ONU. Foto: Agência Brasil

É essencial que os Estados implementem a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, segundo presidente de fórum da ONU. Foto: Agência Brasil

Em comunicado, Álvaro Pop, presidente do Fórum Permanente da ONU para Questões Indígenas, disse que é o momento de impulsionar um diálogo entre Estados e povos indígenas, buscando soluções para os desafios da humanidade. As declarações foram feitas após fala do papa Francisco pedindo respeito aos povos indígenas.

“É hora de fomentar um diálogo entre Estados e povos indígenas, de frente, de boa fé, entre iguais, mas diferentes, para nos apoiar e encontrar soluções aos desafios da humanidade. Somente palavras não bastam”, declarou Pop.

“Desde a época das conquistas, os povos indígenas tiveram encontros trágicos com representantes da Igreja Católica. Como resultado, nossas tradições e crenças foram ameaçadas, nossos territórios tomados, e nossa identidade minada com formas desumanas de opressão. No entanto, os povos indígenas resistiram, e continuamos nossa luta”, disse Pop.

As Nações Unidas celebraram em 9 de agosto o Dia Internacional dos Povos Indígenas. O primeiro papa latino-americano, Francisco, líder da Igreja Católica, escreveu na ocasião em seu Twitter: “pedimos respeito aos povos indígenas, cuja identidade e existência são ameaçadas”.

Um mês antes, em julho, o Papa lançou um vídeo intitulado “Respeito aos Povos Indígenas”. Em sua visita a Chiapas, no México, em fevereiro, presidiu uma missa ao ar livre em espanhol e em línguas indígenas, em um feito de extrema importância: “em diversas ocasiões, de forma sistemática e organizada, seu povo foi mal interpretado e excluído da sociedade”, disse.

“Alguns consideraram suas culturas e tradições inferiores. Outros, intoxicados por poder, dinheiro e tendências de mercado, roubaram suas terras e as contaminaram. Como isso é triste! Seria proveitoso se cada um de nós pusesse a mão na consciência e dissesse ‘me perdoe’, ‘me perdoe, irmãos e irmãs! O mundo de hoje, devastado por uma cultura do desperdício, precisa de vocês”, disse o Papa.

Em julho de 2015, quando visitou Equador, Bolívia e Paraguai, o Papa falou em suas homilias sobre a situação dos povos indígenas, reconhecendo-os como os primeiros povos dessas terras, assim como suas culturas, identidades, línguas e seu relacionamento com a Mãe Terra. Em Santa Cruz, na Bolívia, disse em usa mensagem: “eu humildemente peço perdão, não apenas pela ofensa da Igreja, mas também pelos crimes cometidos contra os povos indígenas durante a chamada conquista das Américas”.

De acordo com o presidente do Fórum, as mensagens do Papa chamam os Estados-membros a redobrar seus esforços para que a identidade e a existência dos povos indígenas não continuem sendo ameaçadas.

“É essencial que os Estados implementem a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, incorporando-a em suas legislações e políticas”, declarou.