Quase 2000 comunidades africanas abandonam mutilação genital feminina, revelam agências da ONU

Todo ano, perto de três milhões de garotas enfrentam o risco de mutilação. A maioria na África e em alguns países da Ásia e no Oriente Médio.

Tribo Ndebele na África do Sul / Foto: ONUQuase 2.000 comunidades na África abandonaram a prática de mutilação genital feminina, segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Esse dado faz parte do relatório “Principais Resultados e Destaques 2011” divulgado hoje (06/02).

“Esses resultados mostram que normas sociais e práticas culturais estão mudando, e que as comunidades estão unidas para proteger os direitos femininos”, disse o Diretor Executivo da UNFPA, Babatunde Osotimehin na comemoração do Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina.

Junto do Diretor Executivo da UNICEF Anthony Lake, Osotimehin pediu a renovação dos compromissos para colocar um fim a essas práticas. “Com a ajuda da comunidade global, nós podemos abolir as mutilações genitais femininas em uma geração e ajudar milhões de mulheres a ter vidas mais saudáveis e plenas”.

Todo ano, perto de três milhões de garotas enfrentam o risco de mutilação. A maioria na África e em alguns países da Ásia e no Oriente Médio. As mutilações se referem a um número de práticas que envolvem decepar parte ou o todo da genitália externa feminina. A prática, reconhecida como violação dos direitos humanos, não traz benefícios à saúde, causa muitas dores, além de problemas a longo prazo.

O relatório mostra que por toda a África, mais de 18 mil comunidades já tiveram sessões de educação, quase três mil líderes religiosos declararam publicamente que a prática deveria se encerrar e mais de três mil veículos de mídia já cobriram o assunto. Antes dos resultados de 2011, outras oito mil comunidades já haviam abandonado a prática em 2010.

O relatório foi feito pelo Programa Conjunto UNICEF-UNFPA para a Aceleração do Abandono da Mutilação Genital Feminina, que atua desde 2008. A principal estratégia é argumentar que a prática não é uma exigência religiosa.