Duas vacinas contra o ebola mostram ‘segurança aceitável’, anuncia OMS

Enquanto a Organização Mundial da Saúde reúne especialistas e parceiros em Genebra para discutir as vacinas, funcionários de alto escalão da ONU visitam os três países mais afetados, na África Ocidental.

Uma das vacinas, canadense, consideradas para análise. Foto: OMS/M. Missioneiro

Uma das vacinas, canadense, consideradas para análise. Foto: OMS/M. Missioneiro

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta sexta-feira (9) que duas vacinas promissoras contra o ebola parecem ser seguras e poderão ser testadas em breve na África Ocidental. A agência da ONU reuniu especialistas mais cedo em Genebra para discutir o tema.

A OMS se reune com os pesquisadores, reguladores, desenvolvedores de vacinas e gestores públicos desde quinta-feira (8) para discutir o acesso a vacinas e seu financiamento, bem como o status atual dos testes clínicos.

A diretora-geral assistente da OMS para Sistemas de Saúde e Inovação, Marie-Paule Kieny, disse em uma coletiva de imprensa em Genebra que, até agora, as duas vacinas contra o ebola que já foram submetidas a uma primeira fase de testes têm um “perfil aceitável de segurança”.

Uma outra fase de testes – que consiste em dar a vacina a voluntários saudáveis em áreas afetadas – está prestes a começar. De acordo com um porta-voz da ONU, as equipes de pesquisa foram criadas e preparadas para entrar em ação na Libéria, Serra Leoa e Guiné, os três países mais atingidos pelo surto atual sem precedentes.

Números recentes da OMS dão conta de um total de 20.747 casos confirmados, casos prováveis ou casos suspeitos de ebola, com 8.235 mortes relatadas.

Abrindo a reunião de alto nível em Genebra, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse que os participantes do encontro trabalharam com prazos apertados e, com isso, avançaram rapidamente. “Na verdade, o que vocês estão fazendo não tem precedentes: meses de trabalho para algo que normalmente leva de dois a quatro anos, mas sem comprometer as normas internacionais de segurança e eficácia”, disse ela.

Também nesta sexta-feira (9), o chefe da Missão das Nações Unidas para a Resposta de Emergência ao Ebola (UNMEER), Ismail Ould Cheikh Ahmed, e o enviado especial das Nações Unidas sobre o ebola, David Nabarro, estiveram em Serra Leoa, de onde seguirão para a Guiné, no domingo (11). Eles visitaram anteriormente a Libéria.

“Ainda há muito a ser feito na Libéria para ficarmos livre do ebola”, disse Ould Cheikh Ahmed. Mesmo mostrando bastante otimismo em relação à situação do ebola no país, Ahmed reconhece que o país ainda enfrenta muitos desafios para conter o surto. Ele destacou a importância da resposta ao surto ser uma “batalha” fortemente conduzida pelo governo com o forte apoio das comunidades do seu país.

“Se nós não enfrentarmos o ebola em nível local não chegaremos ao número zero de casos tão cedo”, disse ele. “É importante que os líderes comunitários e religiosos e suas próprias comunidades não só reconheçam a existência do ebola, mas também a batalha entre a demora das pessoas em mudar seus comportamentos em relação à doença contra um tempo extremamente limitado para contê-la”, acrescentou.

Durante sua visita, o novo chefe da UNMEER se reuniu com o presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, o ministro da Saúde do país, os representantes da ONU e de parceiros que permanecem trabalhando ativamente no país. Além disso, ele visitou um centro de tratamento com casos recentes do ebola. Nos próximos dias, Ahmed seguirá para Serra Leoa e o Guiné.