Documentário aborda resiliência da Baía de Guanabara após as Olimpíadas

Documentário “Baía Urbana”, do biólogo Ricardo Gomes, será lançado em novembro. Produzido em colaboração com o Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (Centro RIO+), o filme mostra a vibrante vida marinha que resiste na Baía de Guanabara, apesar da poluição de seu corpo d’água, alvo de notícias no mundo todo antes e durante as Olimpíadas do Rio.

O biólogo Ricardo Gomes defende a urgência da despoluição da Baía de Guanabara. Foto: Ricardo Gomes

O biólogo Ricardo Gomes defende a urgência da despoluição da Baia de Guanabara. Foto: Ricardo Gomes

A Baía de Guanabara foi palco de diversos eventos esportivos durante as Olimpíadas, e a poluição de seu corpo d’água foi alvo de notícias no mundo todo. No entanto, mais do que prepará-la para os Jogos, sua despoluição era e permanece necessária para manter viva sua rica biodiversidade marinha, da qual dependem milhares de pescadores.

Esse é o argumento do biólogo Ricardo Gomes, que defende a urgência da despoluição da baía e passou duas décadas nadando, mergulhando, analisando e filmando suas águas. Em documentário que será lançado em novembro em colaboração com o Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (Centro RIO+), Gomes utiliza mais de 100 horas de filmagens para mostrar, não a poluição, mas a vibrante vida marinha que resiste na baía. O lançamento ocorrerá no Museu do Amanhã.

O novo filme, cujo título é “Baía Urbana”, é um testamento da resiliência dos ecossistemas e da população vivendo às suas margens. De fato, mais de 20 mil pescadores dependem da baía, mas menos de 20% de suas águas são apropriadas para a pesca atualmente. Do total de 465 toneladas de esgoto orgânico jogado todos os dias, apenas 68 toneladas são tratadas. Além de esgoto, lixo industrial líquido é responsável pela poluição provocada por substâncias tóxicas e metais pesados nas águas da baía.

Gomes, que estudou biologia marinha na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), já lançou outro documentário sobre a vida marinha das praias de Copacabana e Leblon, chamado “Mar Urbano”. No novo documentário, também apoiado pela empresa OceanPact, Gomes explora as águas da baia, mostrando as diferentes espécies de vida marinha, algumas das quais servidas em muitos restaurantes no Rio e que estão sob risco de extinção.

Novo filme é um testamento da resiliência dos ecossistemas e da população da Baía de Guanabara. Foto: Ricardo Gomes

Novo filme é um testamento da resiliência dos ecossistemas e da população da Baía de Guanabara. Foto: Ricardo Gomes

Gomes chama a baía de “Amazônia azul” ou uma floresta amazônica submersa, completando ser mais fácil pressionar a opinião pública a preservar o que pode ver. Por meio do filme, ele espera levar as atenções para as maravilhas da vida marinha na baía e levar sociedade civil e governos à ação.

O projeto é um exemplo de busca pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que estabelecem metas para desenvolvimento inclusivo em suas três dimensões: econômica, social e ambiental. A colaboração com o Centro RIO+ também permitirá uma disseminação global do documentário como uma poderosa ferramenta para a construção de resiliência.

Gomes recomenda que o governo estadual mantenha sua promessa de acabar com o despejo de esgoto não tratado na baía, e utilize políticas para proibir dezenas de indústrias de jogar metais pesados e outros resíduos impunemente, particularmente a indústria de petróleo. Até o momento, o governo do estado elevou as taxas de tratamento de esgoto de 11% desde 2009 para 51% atualmente. Uma unidade de tratamento em Alcântara, subúrbio do Rio, deve começar o tratamento de 1,2 mil litros de esgoto por segundo após as Olimpíadas.

Gomes chama a baía de um tipo de “Amazônia azul” ou uma floresta amazônica submersa. Foto: Ricardo Gomes

Gomes chama a baía de um tipo de “Amazônia azul” ou uma floresta amazônica submersa. Foto: Ricardo Gomes


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