Doadores prometem US$2,6 bi para financiar ajuda humanitária no Iêmen

Doadores prometeram 2,6 bilhões de dólares para fornecer a urgentemente necessária ajuda a milhões de civis iemenitas que enfrentam uma “esmagadora calamidade humanitária” após quase quatro anos de guerra brutal, disse o secretário-geral da ONU nesta terça-feira (26).

Falando paralelamente à conferência de arrecadação de recursos em Genebra, na Suíça, Guterres elogiou a generosidade dos Estados-membros, que prometeram 30% mais do que na conferência do ano passado para a ajuda humanitária no Iêmen.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, e Mark Lowcock, coordenador de ajuda de emergência das Nações Unidas, participam de conferência sobre o Iêmen em Genebra, na Suíça. Foto: ONU/Jean Marc Ferre

O secretário-geral da ONU, António Guterres, e Mark Lowcock, coordenador de ajuda de emergência das Nações Unidas, participam de conferência sobre o Iêmen em Genebra, na Suíça. Foto: ONU/Jean Marc Ferre

Doadores prometeram 2,6 bilhões de dólares para fornecer a urgentemente necessária ajuda a milhões de civis iemenitas que enfrentam uma “esmagadora calamidade humanitária” após quase quatro anos de guerra brutal, disse o secretário-geral da ONU nesta terça-feira (26).

Falando paralelamente à conferência de arrecadação de recursos em Genebra, na Suíça, Guterres elogiou a generosidade dos Estados-membros, que prometeram 30% mais do que na conferência do ano passado para a ajuda humanitária no Iêmen.

O chefe da ONU também anunciou que o Programa Mundial de Alimentos (PMA) foi capaz de alcançar os armazéns localizados na cidade portuária de Hodeida, onde mais de 50 mil toneladas de cereais — suficientes para alimentar 3,7 milhões de pessoas por um mês —, estavam presos há meses devido ao conflito entre forças da coalizão que apoiam o governo e rebeldes houthi que controlam a localidade.

A agência de assistência alimentar de emergência da ONU confirmou a informação, mas ainda precisa saber se os estoques poderão ser usados, após meses sem acesso ao local.

Os contribuintes que mais doaram na conferência — 500 milhões de dólares cada — foram Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, apoiadores do internacionalmente reconhecido governo do presidente Abd Rabbu Mansour Hadi.

“Os doares prometeram 30% mais do que no ano passado para ajudar a enfrentar a dramática situação humanitária no Iêmen”, disse o secretário-geral da ONU.

“De 2 bilhões de dólares prometidos na conferência de 2018, para 2,6 bilhões prometidos na conferência de 2019, muitos países naturalmente aumentaram suas contribuições, mas acredito que é justo dizer que os dois elementos mais relevantes desse aumento foram Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.”

Aproximadamente quatro anos desde que os confrontos tiveram uma escalada no Iêmen, os civis continuar a sofrer mais.

“Dezenas de milhares de pessoas foram assassinadas ou ficaram feridas desde que o conflito teve uma escalada, muitas delas, civis”, disse Guterres. “Muitos mais morreram de doenças preveníveis, exacerbadas pela desnutrição”, disse. Ele notou que cerca de 20 milhões não são capazes de “se alimentar ou alimentar suas famílias de forma confiável”, acrescentando que “quase 10 milhões estão a um passo da fome”.

Enfatizando o impacto sobre os iemenitas mais jovens, o chefe da ONU notou que “as crianças não começaram a guerra no Iêmen, mas estão pagando o preço mais alto”. Cerca de 360 mil crianças estão sofrendo de desnutrição severa, lutando para sobreviver todos os dias. Um relatório confiável disse que mais de 80 mil crianças com menos de 5 anos morreram de fome”.

Uma das anfitriãs da conferência, a chanceler da Suécia, Margaret Walstrom, descreveu a grave situação no país, que já era um dos mais pobres do mundo antes do início do conflito que interrompeu as importações de alimentos, combustíveis e medicamentos.

Citando os dados mais atualizados sobre segurança alimentar, ela disse que a comunidade internacional precisa encarar o fato chocante de que 240 mil pessoas estão enfrentando fome. “Dez milhões de pessoas não sabem onde encontrarão sua próxima refeição e, frequentemente, mulheres e meninas estão em uma situação particularmente vulnerável. As mulheres comem menos e por último”.

Falando em nome do outro país anfitrião, a Suíça, a vice-presidente Simonetta Sommaruga confirmou que sua contribuição de quase 15 milhões de dólares para 2019 focará na proteção de civis e no apoio sustentável ao Iêmen.

“Nossa estratégia para a cooperação, que cobre quatro anos, é de até 54 milhões de francos suíços no total”, disse. “No Iêmen, a Suíça está focando em áreas onde tem particular experiência, como fornecimento de água, proteção da população civil e segurança alimentar”.

Citando o acordo de cessar-fogo liderado pela ONU e assinado entre o governo iemenita e a oposição houthi em dezembro, Guterres reconheceu que desafios significativos permanecem na implementação de uma saída das forças combatentes do porto de Hodeida.

“Tivemos um momento importante em Estocolmo, no qual foi possível concordar com um cessar-fogo em Hodeida e uma série de outros aspectos”, disse. “Sabemos que há esperança de fim do conflito, mas sabemos que enfrentamos muitos obstáculos na implementação do Acordo de Estocolmo”.

Guterres também rejeitou sugestões de que a ONU estaria ignorando as preocupações de direitos humanos no Iêmen enquanto a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos “e outros países” fornecem apoio militar ao governo iemenita. “Não estamos desconsiderando a guerra que existe e o fato de que uma série de países, não apenas aqueles que você mencionou, tem impacto direto na guerra”, disse.

“Obviamente, o que queremos é o fim da guerra e o fim de todas as consequências da guerra: as pessoas estão sendo mortas, sofrem com todo tipo de impacto. Independentemente disso, hoje tivemos uma conferência para buscar recursos para endereçar as necessidades humanitárias”.

O plano de resposta humanitária de 2019 ao Iêmen precisa de 4 bilhões de dólares para atingir 21,4 milhões de pessoas que mal conseguem sobreviver. Mais da metade dos recursos é destinada para ajuda alimentar de emergência para 12 milhões de pessoas – um aumento de 50% comparado ao ano passado.