Doadores prometem US$ 4,4 bilhões para atender necessidades da Síria

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Participantes de uma importante conferência de doadores da União Europeia e da ONU prometeram na quarta-feira (25) 4,4 bilhões de dólares em 2018 para atender as necessidades dos sírios que foram forçados a deixar suas casas em mais de sete anos de guerra, bem como dos principais países que acolheram refugiados na região.

As necessidades humanitárias em toda a região são espantosas, segundo a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Apesar do apoio generoso dos países anfitriões, cerca de 80% dos refugiados da Síria estão vivendo abaixo da linha da pobreza em alguns países, e 35% das crianças refugiadas estão fora da escola.

Deslocadas de Ghouta Oriental, muitas famílias sírias estão usando lençóis do ACNUR para instalar tendas improvisadas no abrigo do complexo de eletricidade de Adra, na zona rural de Damasco. Foto: ACNUR/Bassam Diab

Deslocadas de Ghouta Oriental, muitas famílias sírias estão usando lençóis do ACNUR para instalar tendas improvisadas no abrigo do complexo de eletricidade de Adra, na zona rural de Damasco. Foto: ACNUR/Bassam Diab

Participantes de uma importante conferência de doadores da União Europeia e da ONU prometeram na quarta-feira (25) 4,4 bilhões de dólares em 2018 para atender as necessidades dos sírios que foram forçados a deixar suas casas em mais de sete anos de guerra, bem como dos principais países que acolheram refugiados na região.

No encontro de dois dias, os participantes também prometeram apoio contínuo, proteção e oportunidades para mais de 5,6 milhões de refugiados sírios espalhados pela região, para mais de 13 milhões de pessoas que precisam de assistência humanitária dentro da Síria e 3,9 milhões de pessoas vulneráveis ​​nas comunidades de acolhida.

No encerramento da conferência que contou com delegados de países anfitriões e centenas de parceiros humanitários, outros 3,4 bilhões de dólares também foram prometidos para programas humanitários e de desenvolvimento em 2019 e 2020.

O evento começou com um vídeo comovente da refugiada síria Farah, de 6 anos, que vive no campo de refugiados de Zaatari, na Jordânia. No vídeo, a garota contou que adora aprender línguas e ciências, sonha em se tornar professora e poetisa e gosta de jogar futebol, o que a deixa feliz e a ajuda a esquecer os problemas.

Ao dar boas-vindas às 88 delegações, a representante da União Europeia para Relações Exteriores e Segurança, Federica Mogherini, refletiu sobre a história de Farah, enfatizando que a solução do conflito só pode vir a partir de conversas políticas significativas entre as partes envolvidas.

“Não compartilhamos as mesmas opiniões sobre tudo e sabemos disso muito bem. No entanto, acredito que há a possibilidade de trabalharmos juntos em duas coisas – mobilizar ajuda, o apoio financeiro que poderá permitir que Farah estude e permaneça viva, mas também podemos trabalhar juntos para trazer as partes sírias à mesa de negociações”, afirmou.

Em mensagem de vídeo ao fórum, o secretário-geral da ONU, António Guterres, enfatizou que o conflito causou um horrendo sofrimento em toda a região, ao mesmo tempo que a Síria se tornou “uma estufa de instabilidade global” e “uma das mais sérias ameaças à paz e segurança internacionais”.

“Vamos nos comprometer hoje com a renovação e fortalecimento de nossos compromissos políticos, humanitários e financeiros em apoio ao povo sírio, aos países da região e às comunidades afetadas por este trágico conflito”, disse Guterres.

As necessidades humanitárias em toda a região são espantosas. Apesar do apoio generoso dos países anfitriões, cerca de 80% dos refugiados da Síria estão vivendo abaixo da linha da pobreza em alguns países, e 35% das crianças refugiadas estão fora da escola.

Os países anfitriões demonstraram generosidade extraordinária aos refugiados sírios, mas precisam de muito mais apoio à medida que a crise persiste. A menos que mais fundos sejam urgentemente arrecadados, programas fundamentais, incluindo educação e saúde, enfrentam a ameaça de encerramento ou redução nos próximos meses, o que resultará em mais crianças fora da escola, mais famílias vivendo na pobreza e menos pessoas ganhando o suficiente para viver.

“Em nome deles, estamos pedindo o fim da violência e uma solução política. Pedimos um futuro seguro com esperança — de educação, saúde, trabalho e retorno para casa. Em outras palavras: uma vida normal”, disse Mark Lowcock, subsecretário geral de assuntos humanitários e coordenador de ajuda de emergência.

Em seu discurso, o alto-comissário da ONU para refugiados, Filippo Grandi, destacou que um quarto dos refugiados do mundo são sírios e que um quarto de todos os sírios são refugiados. Grandi lembrou a importância de apoiar o processo de paz, acrescentando que a maioria dos refugiados quer voltar para casa.

“No momento, as condições para o retorno não são adequadas”, disse Grandi. “Em meio à destruição e ao conflito, retornos prematuros de refugiados seriam desastrosos para os afetados e para a estabilidade da Síria e da região. Portanto, é fundamental que os refugiados e as comunidades e países que os acolhem recebam apoio”.

Grandi expressou sua esperança de que apoio contínuo seja fornecido aos países anfitriões, salientando os novos instrumentos de financiamento, como o mecanismo europeu para refugiados na Turquia, o financiamento do Banco Mundial e as diferentes formas de apoio bilateral.

O alto-comissário também pediu continuidade e expansão das políticas progressistas para refugiados nos países anfitriões, aumentando o acesso a permissões de trabalho e outras oportunidades de subsistência. Ele encorajou os países anfitriões a garantir o acesso ao registro e ao status legal como passo importante para proteção, gestão de refugiados, inclusão e para manter a educação e os serviços de saúde abertos a eles.

Por fim, Grandi convidou os países presentes na conferência a expandir os programas de reassentamento para os refugiados sírios. Em 2016, o ACNUR pediu o reassentamento e outras formas de admissão para ao menos 10% dos refugiados sírios.

“Precisamos manter o curso e mostrar apoio e solidariedade contínuos com o povo sírio, mas também com as comunidades que os acolhem. Nosso sucesso ou fracasso será um teste da nossa humanidade e do nosso compromisso com a solidariedade, acima dos interesses próprios”.


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