Dívida externa filipina deve ser perdoada, afirma relator independente da ONU

“Enquanto 3 bilhões de dólares deixaram o país para pagar dívidas desde que o tufão atingiu as Filipinas, o país recebeu até agora apenas 417 milhões para o seu plano de reconstrução”, lembrou.

Aldeia costeira de Concepcion foi devastada pelo tufão Haiyan. Foto: OCHA/Gemma Cortes

Aldeia costeira de Concepcion foi devastada pelo tufão Haiyan. Foto: OCHA/Gemma Cortes

Expressando preocupação com a possibilidade de os esforços das Filipinas de reconstrução e recuperação pós-tufão serem prejudicados por causa de suas dívidas, o especialista independente em direitos humanos das Nações Unidas pediu nesta segunda-feira (7) aos credores internacionais para perdoar a dívida do país e fornecer ajuda em vez de novos empréstimos.

O especialista independente encarregado de monitorar os efeitos da dívida externa sobre os direitos humanos, em particular os direitos econômicos, sociais e culturais, Cephas Lumina, destacou que a reconstrução, o desenvolvimento e a realização dos direitos econômicos e sociais serão prejudicados caso a já alta dívida do país aumente e atinja níveis insustentáveis.

“Enquanto 3 bilhões de dólares deixaram o país para pagar dívidas desde que o tufão atingiu as Filipinas, o país recebeu até agora apenas 417 milhões para o seu plano de resposta estratégica por parte dos doadores internacionais e privados, cerca de metade do total pedido para a ajuda”, ressaltou Lumina.

Apesar de mais de um quarto de sua população viver na pobreza, as Filipinas são classificadas como país de renda média-baixa e foram, portanto, desclassificadas dos programas de perdão da dívida externa. Somente neste ano, as Filipinas devem pagar 8,8 bilhões em dívidas.

O tufão Haiyan, uma das tempestades mais poderosas a atingir uma região, deixou cerca de 4 milhões de deslocados e 500 mil casas destruídas. O ciclone teve um impacto devastador na infraestrutura do país, como hospitais, escolas e serviços públicos, causando cerca de 12 bilhões em danos.

“Conceder ajuda, e não novos empréstimos, é o que é necessário para superar o impacto do ciclone tropical que atingiu o país há cinco meses”, ressaltou Lumina.