‘Discriminação contra refugiados apenas fará o jogo dos terroristas’, alerta chefe da ONU

Em reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon alerta para preconceito aflorado depois de ataques terroristas em Paris e Beirute. Essas atitudes seguem a lógica dos extremistas de semear medo e divisão.

Um grupo de afegãos chegam à ilha de Lesbos depois de viajar em um barco inflável da Turquia para a Grécia. Foto: ACNUR/A. MConnell

Um grupo de afegãos chegam à ilha de Lesbos depois de viajar em um barco inflável da Turquia para a Grécia. Foto: ACNUR/A. MConnell

Falando sobre a repercussão dos recentes ataques terroristas que aconteceram em Paris e Beirute, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, alertou nesta sexta-feira (20) sobre as restrições de movimento impostas aos refugiados em nome da segurança e destacou que a discriminação e distorções contra eles “só faria o jogo dos terroristas, tentando semear divisões e medo”.

Na Assembleia Geral da ONU, Ban enfatizou que o medo de que terroristas estejam entre os refugiados apenas justifica a necessidade de uma gestão controlada dessa situação, detalhando cinco áreas prioritárias: responder às causas desse êxodo; a administração desses grandes fluxos de pessoas; proteção dos direitos humanos; aumento do financiamento e adoção de uma abordagem global em relação a isso.

“Milhões de refugiados que perderam tudo para a violência e opressão querem acabar com essas ameaças mais do que ninguém”, explicou Ban Ki-moon, “Eles podem ser um componente importante no combate ao extremismo violento.”

Líbano, Jordânia, Turquia, e todos os primeiros países que ofereceram asilo, já receberam o recorde de 60 milhões de refugiados, citou o chefe da ONU. Por isso, um novo acordo para gerir a mobilidade global baseado na responsabilidade compartilhada deve ser implementado com urgência. Delegar esta responsabilidade a poucos países não é sustentável, destacou.

Ban Ki-moon também pediu fim para as redes ilegais que facilitam a travessia através de medidas que favoreçam a chegada legal dos refugiados, como a emissão de vistos humanitários e destinados à educação e o apoio do setor privado a esta causa.