Dirigentes da ONU pedem a lideranças políticas do Iêmen que busquem a paz

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Em pronunciamento no Conselho de Segurança sobre a conjuntura no Iêmen, dirigentes da ONU cobraram nesta semana (10) que lideranças políticas locais ouçam os apelos da sociedade civil por paz. O país vive uma crise humanitária descrita como o “resultado direito” do conflito civil que debilitou o acesso a serviços básicos. Atualmente, mais de 20 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária e 7 milhões correm risco de passar fome.

Iêmen enfrenta guerra, escassez de alimentos e água e surto de cólera. Foto: OMSIêmen enfrenta guerra, escassez de alimentos e água e surto de cólera. Foto: OMS

Iêmen enfrenta guerra, escassez de alimentos e água e surto de cólera. Foto: OMS

Em pronunciamento no Conselho de Segurança sobre a conjuntura no Iêmen, dirigentes da ONU cobraram nesta semana (10) que lideranças políticas locais ouçam os apelos da sociedade civil por paz. O país vive uma crise humanitária descrita como o “resultado direito” do conflito civil que debilitou o acesso a serviços básicos. Atualmente, mais de 20 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária e 7 milhões correm risco de passar fome.

Nos últimos meses, uma nova ameaça põe em perigo a vida dos iemenitas. Uma epidemia de cólera já deixou mais de 1,7 mil mortes e, no país, foram notificados 300 mil casos suspeitos. O enfrentamento do surto é uma operação desafiador, uma vez que o sistema de saúde nacional está à beira do colapso.

“Dezenas de milhares de profissionais de saúde não foram pagos por muitos meses, mais da metade das instalações de saúde do país foram fechadas e suprimentos de remédios e equipamento médico permanecem severamente limitados”, informou ao Conselho de Segurança o enviado especial do secretário-geral para o Iêmen, Ismail Ould Cheikh Ahmed. “O país não está sofrendo uma única emergência, mas um conjunto de emergências complexas.”

Ahmed elogiou os esforços da sociedade civil em prol da paz e chamou lideranças a reconhecer que a continuação do conflito só pode levar a mais perdas físicas e humanas.

“Líderes políticos do Iêmen têm de ouvir e prestar atenção aos apelos do povo iemenita exigindo paz. A história não julgará com benevolência os que usam da guerra para aumentar sua influência ou obter lucro com as finanças públicas, e a paciência dos iemenitas não vai durar (muito mais)”, alertou.

Também presente na reunião do Conselho, o coordenador humanitário da ONU, Stephen O’Brien, enfatizou a urgência de regularizar serviços públicos, pois o trabalho da ONU e outras agências não “pode substituir funções do Estado”. Segundo o alto-funcionário, autoridades precisam pagar servidores públicos e assegurar a operação do sistema de saúde.

Outra recomendação é a garantia do acesso estável e previsível para o transporte humanitário e comercial nas estradas e portos. O’Brien também enfatizou a necessidade de proteger a infraestrutura básica e fundamental do país.

“Enquanto as ações militares perdurarem, todas as partes devem agir em acordo com suas responsabilidades segundo o direito humanitário internacional e o direito internacional dos direitos humanos, e todos os Estados têm que exercer sua influência para que as partes o façam. Hoje, elas não estão fazendo isso. Isso precisa mudar”, ressaltou.

O’Brien acrescentou que a emergência no Iêmen é uma “crise feita pelo homem” e que o sofrimento humanitário do povo iemenita é “um resultado direto do conflito e das sérias violações do direito internacional”. “A humanidade simplesmente não pode continuar perdendo para a política”, criticou.


Comente

comentários