Diretor do UNICEF encoraja ação rápida pelas crianças fora da escola

Novo diretor do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) fez um apelo por maiores esforços para aliviar o sofrimento de quase 60 milhões de “crianças esquecidas” – que estão fora da escola -, faltando apenas cinco anos para o fim do prazo da meta global de garantir a educação primária universal.

Diretor Executivo do UNICEF, Anthony Lake, em visita ao Senegal. Foto: UNICEF/Shryock.O novo diretor do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) fez um apelo por maiores esforços para aliviar o sofrimento de quase 60 milhões de “crianças esquecidas” – que estão fora da escola -, faltando apenas cinco anos para o fim do prazo da meta global de garantir a educação primária universal.

Anthony Lake, Diretor Executivo da agência, disse em entrevista nesta semana em Dacar, Senegal, que a ação não foi rápida o suficiente para atingir o objetivo da educação primária, apenas um dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que os líderes mundiais se comprometeram a atingir até 2015. “A triste realidade é que, se o nosso progresso continuar em seu ritmo atual, até 2015, ainda haverá cerca de 56 milhões de crianças fora da escola. E o pior: você pode contar com as crianças que estão sendo mais difíceis de alcançar, que vivem nos países mais pobres, com os maiores e mais difíceis obstáculos a superar”.

Lake, que assumiu o cargo no início deste mês, estava dirigindo uma reunião intitulada “Gerar Capacitação: Educação e Igualdade”, também conhecida como “E4”. A reunião marcou o 10º aniversário da UN Girls’ Education Initiative (UNGEI) – em português “Iniciativa de Educação de Meninas das Nações Unidas” -, que reúne agências das Nações Unidas e outras entidades para diminuir a desigualdade de gênero na educação.

Crianças entre as 20% mais pobres de suas sociedades tem muito menos probabilidade de frequentar a escola primária do que seus correspondentes do “quinto” mais rico, ressaltou. Além disso, as meninas de famílias rurais pobres são mais suscetíveis de serem excluídas da escola primária, enquanto as crianças das comunidades indígenas e grupos minoritários, bem como as crianças com deficiência, são as menos propensas a conseguirem frequentar ou permanecer na escola. “Estes são os filhos esquecidos, marginalizados pelas desigualdades econômicas e sociais de suas sociedades, deixados para trás simplesmente porque nasceram pobres ou mulheres, ou da casta errada ou nos países errados”, ressaltou Lake. Ignorar as necessidades das crianças marginalizadas, disse ele, seria “moralmente impossível de se defender e estrategicamente míope”.

Os participantes no encontro de Dacar discutiram formas de impulsionar o financiamento para a educação e para a igualdade de gênero, bem como modos de permitir aos governos fazerem mudanças positivas em suas políticas nacionais de educação. O chefe do destacou que “a educação sozinha não é igual à capacitação”, observando que os países podem melhorar a paridade de gêneros nas escolas, enquanto ainda não conseguem traduzir esses ganhos em participação maior das mulheres em todos os níveis da sociedade. “Chegou a hora de acelerarmos os nossos esforços – e de olhar para além da paridade de gêneros, para uma agenda mais ampla”.

Saiba mais sobre a visita do Diretor Executivo do UNICEF ao Senegal, em inglês, clicando aqui.