Diálogo e compreensão mútua

“Com tantas demandas conflitantes por recursos escassos, os países muitas vezes não reconhecem plenamente o quão fundamentais os jovens são para as suas economias nacionais, sociedades e democracias – hoje e no futuro – e, consequentemente, fazem poucos investimentos públicos em programas para aproveitar seus recursos produtivos.”

Ficha técnica: a Juventude como um investimento inteligente

  • Comportamentos de risco evitável induzem perdas para a sociedade que chegam a bilhões de dólares.
  • Na América Latina e no Caribe, uma série de comportamentos negativos dos jovens reduz o crescimento econômico em até 2% anualmente.
  • Investir na juventude deve começar na infância e adolescência, quando padrões de comportamento permanentes são estabelecidos.
  • O Banco Mundial financia mais de um bilhão de dólares por ano para apoiar investimentos de jovens na educação, saúde e em outros setores.

Com tantas demandas conflitantes por recursos escassos, os países muitas vezes não reconhecem plenamente o quão fundamentais os jovens são para as suas economias nacionais, sociedades e democracias – hoje e no futuro – e, consequentemente, fazem poucos investimentos públicos em programas para aproveitar seus recursos produtivos.

Em contrapartida, sem oportunidades adequadas e investimento, jovens contribuem para os problemas que afligem cada região do mundo, tais como doenças, violência e perda de produtividade. Os países devem tornar crianças e jovens partes das estratégias de investimento nacional e proporcionar recursos suficientes.

A acumulação de capital humano e social deve começar em idade jovem, já que o cérebro se desenvolve rapidamente durante a infância e adolescência. Além disso, habilidades cognitivas e não-cognitivas precoces e recursos de saúde conduzem para uma maior eficácia dos investimentos posteriores. Como resultado, a construção de uma base forte e o investimento em programas adaptados a crianças e jovens avançam o desenvolvimento sócio-econômico.

Duas meninas participam do lançamento global do Ano Internacional da Juventude, na sede principal da ONU em Nova York. Foto: ONU

Duas meninas participam do lançamento global do Ano Internacional da Juventude, na sede principal da ONU em Nova York. Foto: ONU

Não investir nas crianças e nos jovens provoca custos econômicos, sociais e políticos substanciais decorrentes dos resultados negativos, como abandono escolar, entrada no mercado de trabalho precário, comportamentos sexuais de risco, abuso de drogas, crime e violência. Em muitos países, o prejuízo geral para a sociedade totaliza uma alta porcentagem do produto interno bruto por ano.

Algumas estimativas mostram que comportamentos de risco evitáveis provocam prejuízos para a sociedade que chegam a bilhões de dólares. Por exemplo, na América Latina e no Caribe, uma série de comportamentos negativos dos jovens reduz o crescimento econômico em até 2% anualmente. Estes números não refletem os custos não mensuráveis, tais como a aflição psicológica, saúde precária, menos participação cívica ou os efeitos inter-geracionais.

Nações Unidas e investimento na juventude

O Sistema da ONU encoraja os países a investir recursos públicos em crianças e jovens e apoia governos na formulação e implementação de políticas adequadas. Agências da ONU analisam a situação de crianças e jovens, aumentam a conscientização sobre os investimentos necessários em áreas específicas e recolhem experiência internacional para identificar políticas bem sucedidas que possam servir como exemplo para outros países.

As agências também fornecem aconselhamento para a concepção, implementação e avaliação de políticas relacionadas a crianças e jovens. Por exemplo, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) apoiaram o Ministro da Saúde e Bem-estar Social na Mongólia para implementar um programa que diminuísse a evasão escolar de adolescentes e gravidez indesejada.

Através de doações e empréstimos, agências da ONU também prestam assistência financeira a países em todo o mundo. O Banco Mundial financiou mais de um bilhão de dólares por ano para apoiar os investimentos dos jovens na educação, saúde e outros setores.

O caminho a seguir

Tendo em conta as implicações de custos de sub-investimento, os autores de políticas têm um auto-interesse de alocar recursos públicos suficientes para desenvolvimento infantil e juvenil, com atenção particular a grupos vulneráveis. Para orientar as decisões de investimento público, diversos princípios podem ser considerados.

Primeiramente, os fundamentos certos devem ser concedidos em uma idade precoce. Prevenção, em termos de “gastar agora para evitar o aparecimento de problemas sociais caros mais tarde”, é considerada uma estratégia economicamente eficiente. Habilidades, preferências e comportamento são formados no nascimento. Portanto, programas de promoção da formação de capital humano e prevenção de comportamentos de risco devem ser iniciados cedo. Ao combinar políticas a curto e longo prazo, a necessidade de uma segunda chance será reduzida.

Em segundo lugar, fatores influentes além do jovem devem ser alvejados. As pessoas são um produto das influências sociais e econômicas que os cercam. Alguns dos desenvolvimentos infantil e juvenil mais eficazes são alcançados através da influência desses fatores que ajudam a moldar comportamentos, tais como família, comunidade, escola, meios de comunicação, o sistema jurídico e as normas sociais.

Em seguida, o investimento deve ser feito com base na evidência empírica. Investir nas crianças e jovens pode ser mais rentável, privilegiando os programas com impacto comprovado e bom custo-benefício.

Por exemplo, implementar um programa condicional de transferência de renda como o Progresa/Oportunidades no México, que tem demonstrado aumentar a frequência escolar em 10%, custaria a um país como a Jamaica 0,3% do PIB, gerando contudo um ganho estimado em 0,5% no PIB anual. No entanto, como a evidência geral ainda é escassa, o uso continuado de avaliação é necessário para saber quais tipos de intervenções podem ter um impacto e em quais configurações.

Finalmente, fechar a abertura do investimento através da realocação de recursos e busca de financiamento adicional necessário. A redução de programas populares, mas ineficazes ou prejudiciais, como estratégias do tipo “seja firme”, acampamentos militares, programas de abstinência ou construção de centros de juventude (em vez de utilizar estruturas já existentes) irá fornecer o espaço fiscal para investir em programas mais eficientes e promissores.

Re-priorização da estratégia de investimento nacional para enfatizar os primeiros anos do ciclo de vida de um indivíduo aumentaria investimentos em crianças e jovens.

Além disso, os governos podem levantar fundos através de ligações ou financiadores externos utilizados para investimentos em que os “lucros” ultrapassam o custo do pagamento do empréstimo.

Texto que integra o especial do UNIC Rio sobre o Ano Internacional da Juventude. Leia mais sobre o tema em www.unicrio.org.br/juventude2010-2011