Diagnóstico tardio do HIV é maior obstáculo para combater vírus, dizem especialistas em reunião do UNAIDS

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Em 2015, apenas 60% das pessoas com HIV sabiam que estavam vivendo com o vírus. O índice foi tema de uma reunião do Comitê Consultivo Científico e Técnico do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS). Em encontro em Genebra, nos dias 9 e 10 de abril, especialistas alertaram que o diagnóstico tardio de HIV representa a maior barreira para a supressão do agente patogênico em todo o mundo.

Campanha "Viva Melhor Sabendo Jovem” visa a ampliar o acesso de adolescentes e jovens de 15 a 24 anos à testagem do HIV. Foto: Marcelo Camargo/ABr

Testatem de HIV. Foto: Marcelo Camargo/ABr

Em 2015, apenas 60% das pessoas com HIV sabiam que estavam vivendo com o vírus. O índice foi tema de uma reunião do Comitê Consultivo Científico e Técnico do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS). Em encontro em Genebra, nos dias 9 e 10 de abril, especialistas alertaram que o diagnóstico tardio de HIV representa a maior barreira para a supressão do agente patogênico em todo o mundo.

“A revolução da testagem de HIV deve ser um elemento de destaque na agenda (global). Nós devemos fazer um melhor trabalho para alcançar os homens jovens com os serviços de testagem de HIV e nós precisamos mover o teste de HIV do serviço de saúde para a comunidade”, enfatizou o diretor-executivo da agência da ONU, Michel Sidibé.

O UNAIDS considera que as principais barreiras à realização consciente e regular do teste de HIV incluem falta de conscientização individual sobre o risco, estigma, obstáculos legais e estruturais, além de custos associados aos serviços, como deslocamento até centros de saúde.

Especialistas se reuniram em Genebra para avaliar números da epidemia de AIDS e progresso em relação a metas globais. Foto: UNAIDS

Especialistas se reuniram em Genebra para avaliar números da epidemia de AIDS e progresso em relação a metas globais. Foto: UNAIDS

O organismo internacional também reconhece que, entre as pessoas, há muitas vezes a percepção de que o diagnóstico do HIV traz poucos benefícios, caso não haja sintomas. O Comitê recomendou ao UNAIDS que desenvolva um roteiro para uma revolução na área de testagem de HIV, para ser revisado e comentado pelo Comitê em sua próxima reunião, em julho.

O evento na Suíça discutiu ainda outros números relativos à epidemia. Taxas revelam que a comunidade internacional ainda tem um longo caminho a percorrer para cumprir as metas 90-90-90 da ONU.

“Nós precisamos acelerar o ritmo de ampliação do alcance do tratamento. Nós adicionamos 2,4 milhões de novas pessoas no tratamento de HIV em 2015. Tanto em 2013, quanto em 2014, o aumento foi de 2,2 milhões”, lembrou Sharonann Lynch, integrante do comitê consultivo e assessora da Médicos Sem Fronteiras.

“Se pudermos aumentar a adesão anual ao tratamento do HIV para 3 milhões, nós poderemos cumprir o nosso objetivo global de ter 30 milhões de pessoas em tratamento para HIV até 2020”, acrescentou.

As metas 90-90-90 são um conjunto de compromissos dos Estados-membros da ONU para garantir que, até 2020, 90% das pessoas vivendo com HIV estarão cientes de seu estado sorológico, 90% dos indivíduos com o vírus estarão sob tratamento e 90% das pessoas em tratamento estarão com a carga viral indetectável.


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