Dia Mundial de Combate à Desertifição e à Seca – 17 de junho de 2011

As pessoas que vivem em terras áridas, que ocupam mais de 40% da área de nosso planeta, estão entre as mais pobres do mundo e mais vulneráveis à fome.

Mensagem do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon

As pessoas que vivem em terras áridas, que ocupam mais de 40% da área de nosso planeta, estão entre as mais pobres do mundo e mais vulneráveis à fome. Frequentemente, elas dependem da terra que está degradada e onde a produtividade foi reduzida a níveis inferiores aos de subsistência. Nos esforços do mundo para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, os desafios enfrentados por estes “bilhões de esquecidos” – homens, mulheres e crianças – merecem atenção especial.

A observância desse ano do Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca acontece durante o Ano Internacional das Florestas 2011, declarado pela Assembleia Geral das Nações Unidas para educar a comunidade global sobre o valor das florestas e sobre os custos sociais, econômicos e ambientais de perdê-las. Este esforço é particularmente relevante para terras áridas, onde florestas secas e cerrados constituem a espinha dorsal de ecossistemas áridos.

Quarenta e dois por cento das florestas tropicais e subtropicais da Terra são secas. O gerenciamento insustentável da terra e a agricultura são causas significantes de seu esgotamento – e da degradação da terra e da desertificação subsequentes. Lamentavelmente, só depois que estes ecossistemas estão comprometidos é que muitas comunidades ou autoridades despertam para a importância das florestas secas para o bem estar social e para a prosperidade.

O gerenciamento, a conservação e o desenvolvimento sustentável das florestas secas são centrais para combater a desertificação. O atual “esverdeamento” do Sahel e outras histórias de sucesso em todo o mundo mostram que as terras degradadas podem ser recuperadas por sistemas agroflorestais e outras práticas sustentáveis. Nós devemos aumentar essas intervenções e disseminar seus resultados amplamente.

Precisamos também recompensar aqueles que tornam as terras áridas produtivas, para que eles possam prosperar e para que outros queiram seguir seus exemplos. Recursos atualmente em desenvolvimento sob a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – como o REDD+ e o “Fundo Verde” – podem seguir um longo caminho na direção da melhoria da resiliência das populações das terras áridas, que continuam sendo as primeiras e mais gravemente afetadas pelas mudanças climáticas. Frequentemente, investir em terras áridas tem sido visto como uma atividade improdutiva ou de risco, ao invés de vias necessárias para melhorar o bem estar das comunidades locais e as economias nacionais. Nosso desafio é mudar a percepção do mercado para que as terras áridas deixem de ser desertos de investimento.

Em setembro, a Assembleia Geral vai realizar um Encontro de Alto Nível sobre a Desertificação, Degradação da Terra e Seca na véspera da 66ª sessão da Assembleia Geral. No próximo ano, líderes mundiais estarão presentes na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+20. Eu peço aos governantes e seus parceiros que usem estes eventos para dar um foco maior à busca por soluções para estes desafios urgentes do desenvolvimento sustentável.