Dez capacetes-azuis da ONU morrem em ataque terrorista no norte do Mali

Dez capacetes-azuis da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização do Mali (MINUSMA) foram assassinados no domingo (20) após um ataque terrorista contra o campo da missão em Aguelhok, região de Kidal, norte do Mali.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou fortemente o ataque que matou capacetes-azuis do Chade e deixou ao menos 25 feridos.

Uma proliferação de grupos armados combatendo forças governamentais e seus aliados no centro e no norte do Mali após um golpe militar seis anos atrás transformou a MINUSMA na missão de paz mais perigosa das Nações Unidas.

Contingente da Guiné na MINUSMA, com sede em Kidal, no norte do Mali, desativa minas terrestres e garante a segurança da população civil. Foto: MINUSMA/Harandane Dicko

Contingente da Guiné na MINUSMA, com sede em Kidal, no norte do Mali, desativa minas terrestres e garante a segurança da população civil. Foto: MINUSMA/Harandane Dicko

Dez capacetes-azuis da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização do Mali (MINUSMA) foram assassinados no domingo (20) após um ataque terrorista contra o campo da missão em Aguelhok, região de Kidal, norte do Mali.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou fortemente o ataque que matou capacetes-azuis do Chade e deixou ao menos 25 feridos.

“As forças da MINUSMA responderam de forma robusta, e uma série de terroristas foram mortos”, disse o comunicado emitido pelo porta-voz de Guterres.

O secretário-geral da ONU enviou suas condolências ao governo do Chade e às famílias das vítimas, desejando rápida recuperação aos feridos. Ele elogiou a dedicação e a coragem de homens e mulheres da MINUSMA, em meio a grandes “sacrifícios e riscos pessoais”.

Uma proliferação de grupos armados combatendo forças governamentais e seus aliados no centro e no norte do Mali após um golpe militar seis anos atrás transformou a MINUSMA na missão de paz mais perigosa das Nações Unidas.

Guterres pediu que as autoridades do Mali, assim como grupos armados que assinaram o acordo de paz, “não poupem esforços” para identificar os perpetuadores do ataque, para que sejam levados à Justiça o mais rápido possível.

Lembrando que ataques que tenham como alvo capacetes-azuis da ONU podem constituir crimes de guerra sob a lei internacional, ele reafirmou que “tais atos não reduzem a decisão das Nações unidas de continuar apoiando o povo e o governo do Mali em seus esforços de construir paz e estabilidade no país”.

O chefe da missão, Mahamat Saleh Annadif, também condenou fortemente o ataque. “Esse ataque complexo e covarde mostra o quanto os terroristas estão determinados em semear o caos”, disse. “Isso demanda uma resposta robusta, imediata e coordenada de todas as forças para destruir a ameaça do terrorismo no Sahel”.

“Trabalhando junto de seus parceiros, a MINUSMA permanecerá ativa e não deixará esse ato bárbaro ficar impune”, declarou.

Situação humanitária “terrível”

Bintou Keita, assistente do secretário-geral da ONU para as operações de paz, e Oscar Fernandez-Taranco, assistente do secretário-geral para o apoio à construção da paz, reúnem-se com beneficiários da ONU Mulheres e do UNFPA em projeto de apoio a vítimas de violência sexual e de gênero em Gao. Foto: MINUSMA/Marco Dormino

Bintou Keita, assistente do secretário-geral da ONU para as operações de paz, e Oscar Fernandez-Taranco, assistente do secretário-geral para o apoio à construção da paz, reúnem-se com beneficiários da ONU Mulheres e do UNFPA em projeto de apoio a vítimas de violência sexual e de gênero em Gao, nordeste do Mali. Foto: MINUSMA/Marco Dormino

Uma autoridade sênior das Nações Unidas disse na quarta-feira (16) ao Conselho de Segurança que a situação humanitária no Mali “permanece terrível”, à medida que 800 escolas foram forçadas a fechar por conta de insegurança e 2,3 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade irão precisar de ajuda neste ano.

A secretária-geral assistente para Operações de Paz na África, Bintou Keita, também informou o Conselho sobre a alarmante situação de segurança nas áreas do centro e norte do país africano, dizendo ser fonte de “grave preocupação” e que a situação gera “um grande desafio” para implementação do acordo de paz de 2015, apoiado pela ONU.

O Acordo para Paz e Reconciliação no Mali foi assinado em junho de 2015 pelo grupo armado Coordination des Mouvements de l’Azawad após assinatura em maio pelo governo e por uma terceira parte, a coalizão de grupos armados Plateforme.

O governo do Mali busca restaurar a estabilidade após uma série de retrocessos desde 2012, incluindo um golpe militar, confrontos renovados entre forças do governo e rebeldes tuaregues e a tomada de parte de território por extremistas radicais.

Keita destacou as “condições muito difíceis” sob as quais membros da MINUSMA e das forças de segurança do Mali continuam servindo, dizendo que “com demasiada frequência, eles pagam o preço final” no apoio à paz e à estabilidade do país. O Mali continua sendo o local mais perigoso do mundo para vestir o capacete-azul da ONU.

“Ataques assimétricos continuam mirando membros das forças de paz, forças nacionais e internacionais e cada vez mais civis”, afirmou.

Keita também relembrou o Conselho do “aumento significativo” no ano passado do uso de aparatos explosivos improvisados, dizendo que a divisão dentro da MINUSMA do Serviço de Ação Anti-Minas das Nações Unidas (UNMAS) está apoiando autoridades, incluindo com assessoria, treinamentos e equipamentos especializados para mitigar riscos.

“Permanecemos preocupados com a maior deterioração da situação de segurança no centro (do país), onde a violência entre comunidades, instrumentalizada por grupos armados extremistas, foi intensificada ao longo dos últimos meses”, declarou, destacando um ataque mortal no Ano Novo. Ela afirmou que a MINUSMA está trabalhando com o governo para proteger civis.

Keita destacou a importância de as partes no acordo manterem o impulso positivo e realizarem “progressos significativos, sem mais atrasos”.

“A resposta aos desafios enfrentados pelo Mali deve levar em consideração a dinâmica complexa entre fronteiras e impulsionadores do conflito ocorrendo dentro do contexto regional mais amplo”, afirmou, reiterando o pedido do secretário-geral, António Guterres, para que atores nacionais, regionais e internacionais “redobrem seus esforços para atacar as múltiplas ameaças perante o Mali e a região do Sahel”.

Keita afirmou que o Conselho da MINUSMA continua comprometido em apoiar as partes na implementação do acordo de paz.

Por sua vez, a ministra das Relações Exteriores e Cooperação Internacional do Mali, Kamissa Camara, destacou que medidas de segurança não são suficientes quando grupos estão trabalhando “implacavelmente” para destruir a coesão social, enfraquecer o Estado e estender seus controles territoriais.

Camara afirmou que o governo está trabalhando atualmente para construir um consenso nacional para encontrar “soluções compartilhadas por toda a nação do Mali”.

Enquanto o Conselho se reunia, foi relatado que atiradores haviam atacado dois vilarejos na região central de Menaka, perto da fronteira com o Níger, matando ao menos 20 pessoas – agravando ainda mais a situação volátil de segurança no país.

Em resposta ao briefing, o Conselho emitiu um comunicado elogiando as conquistas, enquanto ao mesmo tempo expressou impaciência “significativa” com atrasos persistentes na implementação de itens importantes do acordo.