Dez anos de neutralidade climática no PNUMA

Aos 47 anos, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) está em plena maturidade. O que se traduz em um grande número de conquistas – como a realização do Protocolo de Montreal de 1987, que limitou as emissões de gases que prejudicam a camada de ozônio; e a Convenção de Minamata de 2012, que limitou as emissões de mercúrio tóxico.

Mas, nesse percurso, também foram contabilizados erros, como o aumento do número de viagens aéreas e, consequentemente, de emissão de CO².

No entanto, o órgão continua reduzindo suas emissões anuais de carbono, sabendo que deve dar o exemplo: seu mandato é estabelecer a agenda ambiental global, fornecendo liderança e soluções para alguns dos desafios mais urgentes que a humanidade enfrenta.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) é considerada neutro em relação ao clima. Foto: PNUMA.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) é considerada neutro em relação ao clima. Foto: PNUMA.

Aos 47 anos, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) está em plena maturidade. O que se traduz em um grande número de conquistas – como a realização do Protocolo de Montreal de 1987, que limitou as emissões de gases que prejudicam a camada de ozônio; e a Convenção de Minamata de 2012, que limitou as emissões de mercúrio tóxico.

Mas, nesse percurso, também foram contabilizados erros, como o aumento do número de viagens aéreas e, consequentemente, de emissão de CO².

No entanto, o órgão continua reduzindo suas emissões anuais de carbono, sabendo que deve dar o exemplo: seu mandato é estabelecer a agenda ambiental global, fornecendo liderança e soluções para alguns dos desafios mais urgentes que a humanidade enfrenta.

É por isso que, desde 2008, ano de início do monitoramento de gases de efeito estufa, o PNUMA é considerada neutro em relação ao clima.

Greening the Blue – Limpando o ceú

O relatório 2019 Greening the Blue (Limpando o ceú, na tradução livre), mostra que o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) continua a reduzir suas emissões de carbono em 3% ao ano desde 2010.

O relatório também aponta que o PNUMA está alinhado com as recomendações do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) – particularmente em relação à taxa de mitigação de 45%, necessária para manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5 °C até 2030.

Shoa Ehsani, Oficial de Sustentabilidade e Neutralidade Climática do PNUMA, afirma que o Programa pratica o que prega.

“É importante que o PNUMA, como principal agência ambiental da ONU, cumpra as metas climáticas de acordo com a recomendação do IPCC, particularmente porque o PNUMA aconselha e incentiva os Estados-Membros e outras entidades a trabalharem diligentemente para atingir nossos objetivos climáticos globais”, relatou a oficial.

Reduzindo os números do impacto ambiental

Em 2018, a organização produziu 9.471 toneladas de dióxido de carbono. Desse total, 85% representam viagens aéreas, sendo que mais da metade foram subsidiadas para participantes externos.

As emissões relacionadas às instalações permaneceram constantes desde 2008, com o uso de eletricidade representando 12%, enquanto outras fontes, incluindo refrigeração, continuaram inferiores a 3%.

Para continuar avançando, o PNUMA deve reduzir suas viagens aéreas.

Com isso em mente, em 2019 a organização implementou várias políticas, incluindo:

  • um limite para o número de funcionários que viajam da mesma divisão para um evento ou missão;
  • um protocolo que exige justificativa para a viagem dos funcionários e se estão disponíveis opções alternativas, como ferramentas on-line;
  • incentivo do uso de trens como alternativa aos voos de curta distância;
  • compensação de dias de folga para os funcionários que optarem por rebaixar voluntariamente sua passagem da classe executiva à econômica;
  • e, finalmente, um sistema on-line de aprovação de voos que destaca as emissões por viagem, comparando a média global do PNUMA com a equipe da sede, localizada em Nairóbi, Quênia.

Além do trabalho de diminuir as emissões diretas, o PNUMA também se concentrou em melhorar sua gestão de resíduos na sede, onde mais de 90% dos resíduos do escritório são reciclados.

O escritório da América Latina e do Caribe, localizado no Panamá, substituiu seus utensílios plásticos descartáveis ​​por reutilizáveis, e o PNUMA da Ásia e o Centro Internacional de Tecnologia Ambiental do PNUMA, em Osaka, reduziram o uso de eletricidade por meio de aparelhos e iluminação mais eficientes.

Pegadas verdes

Para a próxima década, o PNUMA se comprometeu a continuar diminuindo sua pegada de carbono e liderando pelo exemplo.

A agência da ONU avalia que a luta por manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5°C permite que nações e povos melhorem sua qualidade de vida sem comprometer a das gerações futuras.