Dez anos após tsunami na Ásia, ONU comemora avanços na prevenção de desastres

Para a chefe do Escritório da ONU para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR), a tsunami de 2004 serviu como um despertador para o alto custo das catástrofes naturais para a sociedade e a economia local.

Vista aérea da destruição da costa da Indonésia causada pelo tsunami de 26 de dezembro de 2004. Foto: ONU/Evan Schneider

Vista aérea da destruição da costa da Indonésia causada pelo tsunami de 26 de dezembro de 2004. Foto: ONU/Evan Schneider

Dez anos se passaram desde que uma  inesperada tsunami no oceano Índico deixou mais de 227 mil pessoas mortas e devastou comunidades costeiras da Indonésia à Somália. Uma década depois da tragédia, representantes das Nações Unidas comemoram os avanços alcançados na região para a recuperação dos países afetados e a entrada em vigor de políticas de redução de risco de desastres.

“Agora temos um sistema mais eficiente de alarme precoce e melhores procedimentos de evacuação”, disse a chefe do Escritório da ONU para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR), Margareta Wahlström. “Há ainda um maior entendimento e consciência global sobre o tamanho do dano que os desastres podem infligir em nossas sociedades”.

Como resposta direta ao vasto número de mortes e impactos para a economia e meios de vida locais, a comunidade internacional se reuniu no Japão três semanas após o tsunami para aprovar o Quadro para Ação Hyogo, o primeiro acordo abrangente no mundo sobre redução de desastres.

“A tsunami serviu como um despertador e nos fez entender o quanto estamos vulneráveis aos riscos naturais. Não podemos evitar os riscos naturais, mas sabemos o suficiente para prevenir que eles se transformem em desastres”, disse Wahlström.

Desde a tsunami, um Sistema de Alerta foi implementado com três centros de observação regionais – na Índia, Indonésia e Austrália – e 26 centrais de informação adicionais. Com isso, em 2012, após o terremoto na Indonésia, o alerta precoce foi rapidamente disseminado na região em menos de oito minutos.

Outra importante lição aprendida com a tsunami é que as zonas costeiras urbanas devem ser construídas de maneira “mais sustentável e responsável” para lidar com as consequências de riscos futuros, explicou a chefe do UNISDR.

Para a Comissão Econômica e Social da ONU para a Ásia Pacífico (ESCAP), as contribuições financeiras para o sistema de prevenção de desastres mostram a mudança de enfoque dos Países-membros, privilegiando a proatividade com medidas de antecipação, prevenção e mitigação dos desastres naturais. Com mais 200 milhões de pessoas vivendo em zonas vulneráveis aos desastres e um custo dos danos estimado em 34 bilhões de dólares, essa mudança de paradigma é essencial.

Já o Fundo da ONU para a Infância (UNICEF) afirmou que nestes dez anos a agência vem trabalhando para melhorar a resiliência das escolas e assegurar que as crianças estejam preparadas para as emergências, bem como assegurar que medidas sociais e legais possam ser aplicadas durante uma eventual catástrofe.