Devastação em ilha na Indonésia após desastre natural está ‘além da imaginação’; ONU apoia país

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Continuam as operações de ajuda humanitária na Indonésia após um recente terremoto seguido de tsunami devastar a ilha de Sulawesi. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) confirmou que mais suprimentos estão chegando aos abrigos de emergência.

Estima-se que mais de 2 mil pessoas foram mortas, 80 mil ficaram desabrigadas e 70 mil casas foram destruídas. Além disso, cerca de 680 pessoas continuam desaparecidas. Brasil doou US$ 100 mil para vítimas.

Sobreviventes do desastre realizam busca nos destroços de sua casa na aldeia de Petobo, em Palu, na ilha indonésia de Sulawesi. Foto: ACNUR/Fauzan Ijazah

Sobreviventes do desastre realizam busca nos destroços de sua casa na aldeia de Petobo, em Palu, na ilha indonésia de Sulawesi. Foto: ACNUR/Fauzan Ijazah

Continuam as operações de ajuda humanitária na Indonésia três semanas após um terremoto seguido de tsunami devastar a ilha de Sulawesi.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) confirmou nesta sexta-feira (19) que mais suprimentos estão chegando aos abrigos de emergência.

Estima-se que mais de 2 mil pessoas foram mortas, 80 mil ficaram desabrigadas e 70 mil casas foram destruídas. Além disso, cerca de 680 pessoas continuam desaparecidas.

Além dos tremores e maremotos, enormes deslizamentos de terra transformaram o solo em lama líquida, se espalhando por grandes áreas.

Segundo o ACNUR, “o nível da devastação é inimaginável” e os efeitos são “devastadores”.

“As comunidades viram suas casas, escolas e hospitais serem reduzidos a escombros. Aldeias inteiras foram dizimadas”, disse Charlie Yaxley, porta-voz do ACNUR em Genebra.

Yaxley afirmou que o ACNUR entregou 435 tendas para o centro do aeroporto de Balikpapan, na ilha vizinha de Borneo. Os itens de emergência já foram transferidos para Sulawesi pelas autoridades indonésias.

De acordo com Yaxley, mais 1.305 barracas chegarão a Balkpapan nos próximos dias. “Isso fornecerá abrigo necessário para cerca de 6.500 pessoas em situação de vulnerabilidade”, afirmou.

Tendas de emergência, sacos de dormir, redes mosquiteiras e lâmpadas solares serão entregues nas próximas semanas. Muito mais material e assistência psicológica serão necessários, no entanto.

‘Forte resiliência’ dos sobreviventes

Segundo Yaxley, há um forte espírito de resiliência entre os sobreviventes. “Pessoas estão ajudando umas às outras onde podem e compartilhando histórias”, disse. “Uma mulher relatou que se sentia ‘sortuda’ porque perdeu seu pai, mas o marido e o filho sobreviveram”, contou.

O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) também tem fornecido ajuda humanitária após abrir instalações de armazenamento no aeroporto de Palu, em Sulawesi, no início de outubro.

Outros 10 centros de armazenamento móvel estão sendo criados em torno de Palu e Donggala “para garantir bom fluxo e distribuição de ajuda onde for necessário”, afirma um comunicado do PMA.

“O PMA terá 40 caminhões operando em Palu e nos arredores no dia 20 de outubro”, disse o porta-voz do Programa, Hervé Verhoosel. “Esses caminhões estarão disponíveis para todos os parceiros por meio de um contrato comum de serviços para transportar e distribuir ajuda.”

Palu, no centro de Sulawesi, foi uma das áreas mais atingidas. No início desta semana, a equipe do ACNUR foi lá para se reunir com o governo local e parceiros. Em Petobo e Balaroa, “muitas pessoas não apenas perderam suas casas, mas até a terra onde ela se encontrava”, observou Yaxley.

Perguntado sobre o acesso dos trabalhadores humanitários a Sulawesi, o porta-voz do ACNUR respondeu que o governo da Indonésia e os trabalhadores humanitários estavam trabalhando “incansavelmente” nas áreas afetadas.

“Nossa equipe esteve no local no início desta semana e não teve problemas com o acesso às áreas afetadas”, afirmou.

Ele ratificou que a resposta ao incidente está sendo coordenada pelo governo do país.

Brasil doa US$ 100 mil para vítimas de terremoto e tsunami na Indonésia

O governo do Brasil anunciou neste mês (19) uma doação de 100 mil dólares para a resposta humanitária à crise na Indonésia, que foi palco de um terremoto e um tsunami em setembro último (28). Catástrofes atingiram a província de Sulawesi Central, deixando mais de 2,1 mil mortos e 4,6 mil indonésios com ferimentos graves. De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), 212 mil cidadãos foram deslocados pela tragédia.

Ainda segundo a agência da ONU, 68 mil casas tiveram sua estrutura severamente danificada ou foram destruídas. A agência nacional de gerenciamento de desastres da Indonésia estima que 680 pessoas estejam desaparecidas, o que poderia elevar o número de vítimas fatais.

As contribuições do Brasil vão ao encontro do apelo internacional feito pelo governo do país asiático e pelo Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). A doação será realizada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores brasileiro. A pasta está em contato com o Programa Mundial de Alimentos (PMA), agência da ONU que tem auxiliado as autoridades da Indonésia a coordenar a logística da assistência às vítimas.

O anúncio do aporte brasileiro ocorreu durante encontro do chanceler Aloysio Nunes com os embaixadores de países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). A comunidade internacional está se mobilizando para enviar ajuda antes que a crise seja agravada pelas fortes chuvas que caem de novembro a junho na Indonésia.

Devido à dificuldade de acesso às áreas afetadas, as doações de recursos financeiros estão sendo encorajadas. Elas permitem também maior flexibilidade para apoiar o plano de recuperação do governo indonésio.

A cooperação humanitária

Desde agosto de 2016, a ABC tem coordenado as ações brasileiras de resposta a emergências e crises humanitárias. O organismo coordena doações de alimentos, medicamentos e outros itens de necessidade básica para países e populações que enfrentam desastres socioambientais, situações de calamidade pública, conflito armado e fome. O Itamaraty também presta assistência a nações e pessoas em contextos de ameaças generalizadas aos direitos humanos.

As iniciativas de ajuda humanitária reforçam o compromisso institucional que o Brasil tem com a cooperação internacional, princípio consagrado no artigo 4º da Constituição brasileira.


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