Detentos e funcionários de penitenciárias fotografam vida nos presídios em projeto da ONU no Brasil

Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) apresentou iniciativa “A Liberdade de Olhar” em seminário sobre questões de saúde no sistema prisional do Distrito Federal. Projeto já mobilizou 149 pessoas, entre detentos e servidores de diversas áreas, em diferentes estados do país.

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Em junho (20), o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) participou do primeiro Seminário de Saúde no Sistema Prisional do Distrito Federal. A agência da ONU apresentou iniciativas que têm desenvolvido para promover a sensibilização da sociedade brasileira quanto à necessidade de proteger os direitos humanos de pessoas sob cárcere.

Com o projeto “A Liberdade de Olhar” — fruto de uma parceria entre o organismo internacional, os Ministérios da Saúde e Justiça brasileiros e a delegação da União Europeia no Brasil —, a agência da ONU estimula internos e funcionários de sistemas prisionais a produzirem fotografias sobre as experiências que vivem em centros de detenção.

O projeto já contou com a participação de 149 pessoas, entre homens e mulheres, internos e servidores das áreas de segurança, administração, saúde, educação e assistência social. A ideia é construir novas representações da vida sob privação da liberdade, a partir do ponto de vista de seus protagonistas.

A partir das imagens, muitas das quais retratavam situações de vulnerabilidade e possível violação dos direitos humanos, o UNODC discutiu ao longo do seminário questões de saúde — principalmente os riscos envolvendo Aids, hepatites virais e tuberculose —, de gênero e de violência.

Até o momento, as oficinas do “A Liberdade de Olhar” já foram realizadas no Rio Grande do Sul, no Presídio Central de Porto Alegre e na Penitenciária Madre Pelletier, em Goiás, na Penitenciária Coronel Odenir Guimarães e Penitenciária Feminina Consuelo Nader, e no Distrito Federal, no Centro de Detenção Provisória e Penitenciária Feminina do Distrito Federal, também chamado Colmeia.

Durante o seminário, o UNODC também apresentou a iniciativa a Farmácia Viva, em que os próprios internos trabalham no cultivo de plantas medicinais para a distribuição na rede pública

Segundo a agência da ONU, o projeto reflete a necessidade de ampliar o debate sobre o acesso à saúde no sistema prisional através de programas que envolvam a ressocialização, educação e dignidade dos detentos.