Desnutrição permanece elevada em Ruanda, diz estudo apoiado pela ONU

Menino se alimenta de comida terapêutica pronta para consumo no campo de refugiados de Mahama, em Ruanda. Foto: UNICEF

A desnutrição crônica caiu significativamente em Ruanda nos últimos três anos, mas continua elevada, especialmente em áreas rurais, concluiu um novo estudo conduzido pelo Ministério da Agricultura do país com apoio do Programa Mundial de Alimentos (PMA).

O relatório “Análise Compreensiva da Segurança Alimentar e da Vulnerabilidade” em Ruanda concluiu que os níveis de nanismo entre crianças menores de 5 anos caiu para 36,7% em 2015, frente a 43% na última análise, realizada em 2012. O nanismo, quando a criança é menor que as demais na sua idade, é um indicador de desnutrição crônica e tem efeitos permanentes no desenvolvimento do cérebro e da saúde.

“Está claro que Ruanda está tendo progresso impressionante na luta contra a insegurança alimentar e a subnutrição, mas precisamos nos manter trabalhando juntos para vencer essa batalha de vez”, disse Jean-Pierre de Margerie, diretor do PMA para Ruanda. “No PMA, estamos comprometidos em continuar nosso trabalho para ajudar Ruanda a melhorar sua segurança alimentar e de nutrição”, disse.

“O objetivo é melhorar as capacidades nacionais para desenvolver, desenhar e administrar soluções nacionais contra a fome, e é por isso que estamos apoiando as eficazes estratégias do governo para tornar Ruanda um país seguro do ponto de vista alimentar e nutricional”, explicou.

De acordo com o PMA, o novo relatório indica uma divisão geográfica nutricional no país, com áreas rurais sendo as mais afetadas pela má nutrição em uma taxa de 40%, comparada a 27% em áreas urbanas. Além disso, os distritos com a maior parcela de residências sem segurança alimentar estão localizados predominantemente nas províncias do Oeste do país, como Rutsiro, Nyamagabe, Nyabihu, Nyaruguru, Rusizi, Karongi e Nyamasheke.

Pobreza, analfabetismo e falta de terra para o cultivo estão entre os fatores ligados à insegurança alimentar, e são as principais causas do nanismo devido à má nutrição crônica, especialmente em áreas rurais. De acordo com o relatório, crianças de mães com baixa escolaridade têm problemas de desenvolvimento mais frequentemente.

O relatório recomenda ampliar as iniciativas para atingir pessoas vulneráveis nas áreas rurais mais afetadas, particularmente expandindo redes de seguridade social para incluir os mais pobres e aqueles que vivem em residências de crise alimentar.

O PMA disse que o documento também sugere ampliar as intervenções sazonais para auxiliar residências que enfrentam crises alimentares em alguns períodos do ano, por exemplo, na época anterior à colheita. O relatório afirma ser necessário promover programas alternativos de desenvolvimento de subsistência, de forma a criar formas de renda mais estáveis, e desenvolver e diversificar as oportunidades de subsistência para a população rural mais afetada.