Deslocamentos forçados crescem na Colômbia apesar do acordo de paz, diz ACNUR

Cerca de 3,5 mil pessoas foram deslocadas só este ano por causa dos confrontos na região do pacífico. No ano passado, houve mais de 11 mil pessoas deslocadas devido à violência, sendo 3 mil famílias.

Mercado em Buenaventura, no departamento de Valle del Cauca, Colômbia. Foto do arquivo de agosto de 2014. Crédito: ACNUR / Juan Arredondo

Mercado em Buenaventura, no departamento de Valle del Cauca, Colômbia. Foto do arquivo de agosto de 2014. Crédito: ACNUR / Juan Arredondo

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) alertou na semana passada (10) que apesar do acordo de paz firmado na Colômbia, cerca de 3,5 mil pessoas foram deslocadas somente este ano por causa dos confrontos na região do pacífico. No ano passado, 11.363 civis deixaram suas casas devido à violência, sendo 3.068 famílias.

De acordo com a agência da ONU, muitos dos deslocados pertencem às comunidades afro-colombianas e indígenas.

Falando a jornalistas em Genebra, o porta-voz da agência William Spindler disse que, desde a assinatura do acordo de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), a violência gerada por novos grupos armados causou assassinatos e recrutamento forçado.

Segundo Spindler, houve um aumento da violência baseada em gênero, acesso limitado à educação, água e serviços de saneamento, como também restrições de movimento da população civil.

O porta-voz do ACNUR afirmou ainda que as famílias mais atingidas são as das regiões de Chocó, Cauca, Valle del Cauca e Nariño. A agência da ONU declarou que 13% dos 7,4 milhões de deslocados internos no país pertencem às comunidades afro-colombianas e indígenas.

O ACNUR pediu às autoridades que garantam que a população civil tenha direito à proteção e à assistência.

Ao mesmo tempo, Spindler afirmou que qualquer pessoa deslocada que queira voltar para casa deve ter condições de fazê-lo de forma segura e digna.