Desenvolvimento inclusivo e justiça social são peças-chave para economias árabes, afirma relatório

Ao longo das últimas décadas, os países da região enfrentaram a dívida e a inflação e criaram empregos, mas crescimento ficou aquém do resto do mundo.

As pessoas que passam por um movimentado mercado de Khan El-Khalili, Cairo, Egito. OIT / M. Crozet

Depois de décadas de políticas de desenvolvimento distorcidas, injustiça social e liberalização econômica mal gerida, os países árabes devem repensar suas estratégias de crescimento – é o que diz o relatório das Nações Unidas “Repensando o Crescimento Econômico: Rumo inclusivo e produtivo para as sociedades árabes“, divulgado nesta terça-feira (05).

Produzido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), o documento ressalta que os países da região devem prestar atenção em particular para as consequências sociais das suas políticas econômicas. A proteção social e o diálogo entre os cidadãos e as autoridades – revindicadas pelas recentes revoltas – também devem ser prioridades.

“Em 2010, os árabes eram mais propensos a encontrar trabalho do que eram há duas décadas”, afirmou o principal autor do relatório, Zafiris Tzannatos. “Mas a questão é que tipo de trabalho? Os trabalhadores são cada vez mais educados, mas os trabalhos que estão sendo criados são pouco qualificados e de baixa remuneração. Na maioria dos países, os trabalhadores não podem fazer sua voz ser ouvida através de sindicatos ou nas urnas”.

Políticas desenvolvidas ao longo das últimas duas décadas permitiram que os países da região enfrentassem a dívida e a inflação e criassem empregos, mas o crescimento ficou atrás do resto do mundo, com novos postos de trabalho concentrados em setores de baixa produtividade. Enquanto isso, o setor privado manteve-se entre os menos competitivos globalmente, devido às baixas taxas de investimento, pouca regulamentação e nepotismo e corrupção generalizada.

O relatório recomenda um modelo de desenvolvimento inclusivo fundamentado na justiça social, o que deve atrair investimentos e permitir reformas estruturais e institucionais. Acesse aqui o documento.


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